Entrevista com a ex-deputada federal Rose Modesto, no Jornal da Top

Os problemas apontados durante a campanha eleitoral em Campo Grande persistem, ou até aumentaram…”
Rede Top FM

A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana, nesta sexta-feira (14), entrevistando a ex-deputada federal Rose Modesto, presidente estadual do União Brasil, que analisou a atual administração de Campo Grande.

“Os problemas apontados durante a campanha eleitoral em Campo Grande persistem, ou até aumentaram, quase um ano após a eleição. Eu refuto a ideia de que Campo Grande está quebrada ou sem dinheiro. A receita do primeiro semestre de 2025 já superou a de 2024 e o orçamento para 2025 é de R$ 6,8 bilhões”, citou.

Ela disse que a sua principal crítica é que a cidade “gasta mais do que arrecada” e que, apesar de arrecadar muito, a administração não consegue entregar o mínimo, evidenciando um “problema muito grave de gestão”.

“A cidade não consegue entregar o básico, sofrendo com problemas nunca antes vistos, apesar de ter mais dinheiro. Há um gasto excessivo com a máquina pública interna, resultando em pouco investimento na vida das pessoas. Pela primeira vez, a cidade enfrenta o período chuvoso já com uma grande quantidade de buracos nas ruas. A qualidade do asfalto é questionável e pode ser chamado de ‘casca de ovo’”, afirmou.

Rose ainda completou que a falta de medicamentos básicos, como dipirona, e a morte de pessoas por falta de atendimento, cirurgias ou consultas com especialistas revelam o caos da saúde pública no município. “A prefeita Adriane Lopes (PP) está pagando um alto preço pela ideologia e polarização, fugindo do debate sobre a cidade”, alertou.

Questionada sobre o que mudaria caso fosse prefeita de Campo Grande, a ex-deputada federal disse que realizaria uma auditoria nas contas do Executivo e pediria ao MPE (Ministério Público Estadual) e ao TCE-MS (Tribunal de Contas do Estado) para analisar tudo publicamente. “Acabaria com a folha de pagamento oculta (Folha Secreta), que permite salários exorbitantes para alguns funcionários em meio à crise financeira”, avisou.

Ela também garantiu que reduziria os gastos internos para investir mais nas pessoas. “Procuraria o governo federal, independentemente de alinhamento político, para buscar recursos e apoio para a cidade”, argumentou.

Eleições 2026

Sobre as eleições do próximo ano, Rose Modesto disse que a política é dinâmica e “um dia na política é uma eternidade”, com mudanças ocorrendo até a véspera das eleições. “Estou trabalhando para montar uma chapa forte pelo União Brasil e sou pré-candidata a deputada federal para ajudar Campo Grande e Mato Grosso do Sul”, assegurou.

Ela recordou que, como deputada federal, viabilizou quase R$ 300 milhões para Mato Grosso do Sul, incluindo recursos para hospitais (Santa Casa, São Julião, HU, Hospital do Pênfigo, Cândido Mariano), entidades do terceiro setor (Juliano Varela, Cotolengo, AMA, Pestalozzi) e obras de infraestrutura (asfalto no Jardim Aero Rancho, recapeamento da Duque de Caxias).

“Como vice-Governadora e secretária de Estado, dobrei as vagas do programa Vale Universidade, criei a Rede Solidária em áreas vulneráveis, fiz auditoria no Vale Renda e lancei edital para apoio a entidades do terceiro setor”, revelou.

A presidente estadual do União Brasil ainda elogiou a gestão do governador Eduardo Riedel (PP) como positiva, sem escândalos, com capacidade de atrair investimentos, geração de empregos e menor taxa de extrema pobreza no Brasil. “O União Brasil apoia a reeleição de Riedel. Sobre a eleição ao Senado, eu acredito que a eleição será mais disputada que a de governador”, projetou.

Rose Modesto lamentou a generalização de que uma má gestão feminina é culpa do gênero, afirmando que a competência depende da pessoa, não do sexo. “Os partidos precisam fortalecer as candidaturas femininas, não apenas preencher cotas, mas dar condições reais de campanha. É preciso sensibilizar as mulheres para que acreditem em seu potencial e que seus lugares também estão nas esferas de poder (vereadoras, deputadas, senadoras, prefeitas, governadoras, presidentes”, analisou.

Compra de votos

A respeito da ocorrência sobre “compra de votos” e “crimes cometidos na porta de escolas” no dia da eleição, ela disse que isso teria sido decisivo para o resultado e que foi, inclusive, comprovado por desembargadores. “O processo subiu para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) há cerca de 20 dias, já tendo uma ministra relatora. Expresso confiança na Justiça e afirmo que, se a decisão for técnica, haverá problemas para os envolvidos, pois há muitas evidências de crimes”, comentou.

Ela criticou a ideia de que um candidato não saberia sobre a compra de votos. “Eu temo que, se o TSE não agir, será aberto um precedente perigoso que poderá levar a uma ‘bagunça maior’ no sistema eleitoral, permitindo a compra de votos. Além dos crimes eleitorais, foram elencadas outras denúncias graves: folhas secretas e supersalários, desvio na saúde, contrato de transporte coletivo irregular, pagamento irregular de honorários advocatícios e pedido de impeachment”, relatou.

Com relação à saúde, a ex-deputada federal disse que o governador já demonstrou disposição e alocou dinheiro para a saúde. “Mas não dá para botar dinheiro bom em projeto ruim, pois a prefeita está com dificuldade em explicar o uso de R$ 156 milhões da saúde. Mesmo assim, o governo está planejando ações para ajudar a saúde da capital, apesar de não ser sua obrigação primária”, adiantou.

Assista a entrevista completa pelo link:

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