A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana nesta sexta-feira (23) entrevistando a médica ginecologista e especialista em reprodução Klissia Pires, que tratou da fertilidade, tanto feminina quanto masculina, os fatores que a influenciam, os sinais do corpo e a importância do planejamento, especialmente diante da tendência de mulheres adiarem a gravidez.
“As mulheres nascem com um número fixo de óvulos para toda a vida. Algumas nascem com menos ou perdem óvulos rapidamente. Pelo menos 1% das mulheres entram na menopausa antes dos 40 anos, o que é muito precoce. O auge da fertilidade feminina ocorre entre os 20 e 30 anos, mas muitas hoje em dia adiam a gravidez, o que pode trazer desafios, pois a fertilidade diminui com a idade”, alertou.
Ela completou que nem sempre há sinais claros da diminuição da reserva ovariana. “A mulher pode ser pega de surpresa ao parar o anticoncepcional e não menstruar. A menstruação regular durante o uso de anticoncepcional é uma ‘falsa menstruação’ e não indica a reserva de óvulos. Os sinais são ciclos menstruais mais curtos (de 28-30 dias para 25-22 dias) em fases mais avançadas e irregularidade com atrasos (menstruação a cada 40 dias ou a cada dois meses), que pode ser confundida com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)”, detalhou.
Klissia Pires pontuou que, às vezes, a menstruação simplesmente para sem aviso prévio e, por isso, é crucial fazer avaliação e planejamento da fertilidade. “Entre os fatores que afetam a fertilidade feminina, nós temos a endometriose, que é extremamente prevalente, afetando 15% das mulheres. Pelo menos 50% das mulheres com endometriose podem ter dificuldade em engravidar naturalmente”, avisou.
Conforme a especialista, os sintomas típicos são dor intensa para menstruar (não é normal), dor nas relações sexuais, dor pélvica crônica, dor ao urinar ou evacuar durante o período menstrual. “O estresse emocional interfere diretamente na fertilidade, impactando a saúde feminina de diversas formas, assim como o estilo de vida, que é um pilar fundamental para a fertilidade”, declarou.
As recomendações da ginecologista são: sono de qualidade, boa alimentação (evitar fast-food e “comidas de lixo” sem nutrientes), hobbies, atividades de lazer e tempo de descanso. “A melhor forma de monitoramento da fertilidade feminina é fazer o acompanhamento menstrual, sendo que as mulheres devem monitorar suas menstruações, usando aplicativos ou calendários para registrar as datas”, exemplificou.
Ela acrescentou que casais férteis engravidam rapidamente (geralmente no primeiro mês, no máximo em 6 meses), mas, se a gravidez demora sem uso de contracepção, é necessário investigar, pois o tempo é precioso. “O homem tem um papel tão fundamental quanto a mulher; metade das dificuldades para engravidar está relacionada a fatores masculinos”, assegurou, completando que colesterol alto, triglicerídeos alterados, falta de atividade física, consumo de álcool e cigarro impactam negativamente na saúde reprodutiva masculina.
A médica ainda falou sobre as mudanças nos padrões de maternidade, ressaltando que houve uma transição significativa desde as décadas de 70 e 80, quando era comum ter famílias grandes (5 a 10 filhos). “Atualmente, a tendência é para 1 ou 2 filhos e muitas mulheres optam por não ter filhos ou por adiar a maternidade. Muitas mulheres hoje desejam ter filhos após os 40 anos”, informou.
Klissia Pires argumentou que é possível engravidar naturalmente e ter uma gestação saudável após os 40 anos, entretanto, é um ponto de alerta. “Aproximadamente 50% das mulheres que deixam para engravidar depois dos 40 não conseguirão de forma natural. As taxas de sucesso da fertilização in vitro (FIV) também caem consideravelmente após essa idade”, comentou, pontuando que é essencial que as pessoas se cuidem e façam um bom planejamento familiar para aumentar as chances de sucesso na hora de engravidar.
Assista a entrevista completa pelo link:
https://www.youtube.com/watch?v=T2RLbBO-Ad0





