Nesta quarta-feira (4), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou a jornalista e mestre em Psicanálise Clínica Eliene Smith, que tratou sobre a urgência e a necessidade de abordar a prevenção da gravidez na adolescência, um tema considerado polêmico e frequentemente evitado.
“No meu livro ‘Não Quero Ser Mãe’, uso esse título provocativo para questionar o porquê de não querer ser mãe e as circunstâncias por trás dessa escolha, indo além do debate sobre o aborto. Minha motivação nasceu na adolescência, ao presenciar casos de gravidez entre colegas e os impactos sofridos por essas meninas”, revelou.
Ela completou que, como psicanalista, atende adultos que são “frutos de lares disfuncionais”, resultantes de rejeição, abandono e falta de amor, consequências diretas de gestações precoces. “A Semana Nacional de Prevenção à Gravidez na Adolescência me motivou a intensificar minhas ações, visando abrir os olhos da sociedade para o impacto e as consequências duradouras da gravidez na adolescência”, disse.
Eliene Smith revelou que, apesar da informação de que as escolas da Rede Estadual de Ensino têm equipes multidisciplinares para palestras em escolas estaduais, os adolescentes relatam que essa orientação raramente acontece na prática. “Há uma dificuldade significativa em discutir o tema nas escolas devido à resistência de muitos pais, que temem que a educação sexual incentive a atividade sexual, em vez de preveni-la”, lamentou.
A profissional defende que o poder público deveria ser mais aberto à colaboração da sociedade e criar um sistema de encaminhamento para que a prevenção e orientação cheguem efetivamente às escolas, talvez até transformando a educação sexual em lei. “Com o apoio de uma equipe de adolescentes, do vereador Rafael Tavares (PL) e do deputado federal Dr. Luiz Ovando (PP), estou realizando uma ação nos terminais de ônibus. A escolha desses locais visa alcançar um público amplo (adolescentes, pais, mães, avós) de diversas regiões da cidade”, argumentou.
Nos terminais de ônibus do transporte coletivo urbano, ela está distribuindo folders com informações básicas sobre o funcionamento do corpo, o período de fertilidade e onde buscar ajuda e tirar dúvidas. “A mobilização não se restringe à Semana Nacional, mas se estenderá, especialmente focando no início das aulas (a partir de 9 de fevereiro), para alcançar os estudantes”, assegurou.
A mestre em Psicanálise ressaltou que muitas mães evitam o assunto por medo de incentivar a atividade sexual e, por isso, sugere que, ao invés do silêncio, os pais levem as filhas (após a primeira menstruação) e filhos às unidades básicas de saúde, médicos da família ou ginecologistas. “Se os pais não se sentirem confortáveis ou qualificados para conversar, os profissionais de saúde podem oferecer a orientação necessária de forma clara e sem constrangimento, diminuindo significativamente os riscos”, afirmou.
Eliene Smith alertou que a gravidez na adolescência muitas vezes resulta em mães solo e parceiros que as abandonam. “As crianças nascidas dessas uniões podem crescer em lares disfuncionais, sofrendo com rejeição, abandono e falta de amor, traumas que persistem na vida adulta. O meu livro visa provocar a reflexão sobre como a sociedade julga ‘pela capa’, rotulando pessoas sem conhecer suas histórias reais e as complexidades por trás de suas escolhas ou circunstâncias”, comentou.
Para ela, é fundamental mudar a lógica que responsabiliza apenas a adolescente. “O debate deve ser ampliado para envolver os meninos, as famílias e as instituições através da instrução, conversa e diálogo. Eliane destaca o impacto ao conversar com os meninos sobre suas responsabilidades, as mudanças hormonais e as consequências de abandonar um filho”, declarou, ressaltando que o futuro não existe sem cuidado e os adolescentes representam esse futuro.
Assista a entrevista completa pelo link:






