O Jornal da Top, da Rede Top FM, entrevistou, nesta terça-feira (22), a presidente da FCDL (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Mato Grosso do Sul), Inês Santiago, que falou da força do varejo no Estado, da participação das mulheres no setor, da festa para celebrar o Dia do Varejista e sobre a regulamentação do trabalho nos feriados.
“O varejo é a maior força motora da economia brasileira. Nós moramos em um Estado eminentemente do agronegócio, só que, na verdade, é o varejo que é responsável por 65% da economia de Mato Grosso do Sul. É o varejo que é responsável por 81% da economia de Campo Grande. O que significa dizer que, se o varejo da Capital fechar as portas amanhã, a cidade entra em colapso”, assegurou, completando que nacionalmente o setor é responsável por 72% do PIB do Brasil.
Ela também fez questão de destacar a participação das mulheres no varejo brasileiro. “As mulheres são eminentemente empreendedoras. Na pandemia da Covid-19, nós temos um exemplo muito claro, pois, muitas mulheres tiveram de voltar para casa porque os filhos não tinham escola e nem creche para ir porque fechou tudo, então, quando acabou, essa trabalhadora precisava retornar ao mercado de trabalho, porém faltavam vagas. Por isso, ela fez pão para vender fora e também vendeu cosméticos, enquanto o homem que passou por essa situação buscou um novo posto de trabalho”, exemplificou.
Inês Santiago completou que a mulher sempre busca empreender, vendendo alguma coisa, ou produzido algo. “Hoje, 56% das empresas brasileiras são formadas por mulheres empreendedoras. Além disso, em Mato Grosso do Sul nós temos aí um maior número de mulheres que sustentam os lares, que sustentam os seus filhos, que tem essa preocupação de manter o lar”, pontuou.
Para a presidente da FCDL-MS, Mato Grosso do Sul ainda tem espaço para crescimento porque nós somos um Estado novo e pouco populoso. “Nós somos um Estado com muitas riquezas naturais e ainda com grandes oportunidades para o turismo. O vetor de turismo, por exemplo, seria uma riqueza do nosso Estado. Tem muito espaço para crescer. O que eu não vejo é, na verdade, esse crescimento acontecendo com uma velocidade que nós precisávamos. Ele está acontecendo, mas talvez com uma velocidade um pouco menor”, lamentou.
Frente parlamentar
A líder varejista informou que, no ano passado, foi lançada a inédita Frente Parlamentar do Varejo de Comércio e Serviços no Brasil Sul na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para discutir as questões de interesse do setor. “Ele é razoavelmente esquecido, sem políticas públicas desenvolvidas especialmente para ele, então, nós montamos essa frente e, neste ano, a Casa de Leis vai incluir no calendário oficial do Estado o Dia do Varejista em Mato Grosso do Sul”, destacou.
Inês Santiago completou que a data vai ser comemorada no dia 8 de outubro porque é o dia de nascimento do varejista Manoel da Costa Lima. “Essa data também é uma homenagem aos Fenícios, que foram os primeiros comerciantes do mundo. Por isso, vamos realizar a Feijoada do Varejo para ser um momento de reconhecimento do valor do nosso varejista e a segunda edição será no dia 6 de setembro deste ano, pois a primeira foi na pré-pandemia da Covid-19, então, nem conta”, ressaltou.
A presidente da FCDL-MS ainda afirmou que a instituição continua sempre atenta às necessidades do setor e, por isso, vai muito a Brasília (DF) para tratar das questões que afetam o varejo. “Temos as nossas relações governamentais atuando dentro do Congresso Nacional. A gente acompanha de perto tudo aquilo que pode trazer qualquer tipo de prejuízo para o nosso varejo e faz as intervenções”, avisou.
Ela completou que, nesse sentido, busca o apoio da bancada federal de Mato Grosso do Sul para pautar e tramitar o projeto de lei sobre a questão do trabalho nos feriados. “Enquanto isso estiver em uma portaria do Ministério do Trabalho, a gente corre o risco de estar levando esses sustos a cada momento, ou seja, de que não pode abrir, que não pode trabalhar e isso não pode acontecer. É preciso ter o mínimo de segurança jurídica para o nosso trabalhador e para o nosso empresário”, defendeu.
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