das vítimas.
“A campanha Maio Laranja tem reforçado a importância da prevenção e do diálogo sobre violência sexual contra crianças e adolescentes. O movimento nasceu da necessidade de ampliar a conscientização além do 18 de maio, data nacional de combate ao abuso e à exploração sexual infantil”, declarou.
Segundo ela, a iniciativa surgiu dentro do Projeto Nova, organização que atende vítimas de abuso e exploração sexual desde 2011. “A campanha ganhou força com apoio de profissionais de marketing e jornalistas e acabou se transformando em lei estadual em Mato Grosso do Sul, sancionada durante a gestão do então governador Reinaldo Azambuja (PL)”, recordou.
Viviane Paz explicou que o principal objetivo do Maio Laranja é promover políticas públicas e abrir espaço para conversas sobre sexualidade infantil de forma preventiva. “Falar sobre sexualidade na infância não é invasão de privacidade. É ensinar sobre autopreservação, privacidade e respeito aos limites do próprio corpo e do outro”, afirmou.
A psicanalista ressaltou ainda que o silêncio em torno do abuso sexual infantil dificulta as denúncias e exige atenção redobrada de pais, professores e familiares para mudanças de comportamento.
“Entre os sinais observados em bebês e crianças não verbais. Por isso, temos de ficar atentos ao medo excessivo de determinadas pessoas, choro sem explicação aparente, insegurança, dificuldade para dormir, problemas para se alimentar e alterações ao urinar ou defecar”, pontuou.
Já em crianças entre 7 e 10 anos, os indícios podem aparecer por meio de baixa autoestima, isolamento, sentimento de culpa, agressividade ou comportamento excessivamente tímido. “O uso de roupas largas ou casacos em dias quentes também pode ser um alerta. Nos adolescentes, o sofrimento pode surgir em forma de crises de identidade, automutilação e pensamentos relacionados à morte”, disse.
A especialista define o abuso sexual como uma “ferida invisível” ou uma “infância amputada”, destacando a importância do acompanhamento psicológico no processo de recuperação.
“O tratamento não apaga o que aconteceu e não faz a vítima esquecer. O objetivo é oferecer condições emocionais para que ela consiga viver, sonhar e construir sua vida apesar da dor”, explicou.
De acordo com a psicanalista, o Projeto Nova realiza atendimento psicológico individualizado e também ações psicossociais com as famílias, entendendo que todo o núcleo familiar precisa ser acolhido durante o processo.
A entidade se mantém por meio de doações e disponibiliza canais de apoio para vítimas e familiares que buscam orientação. O contato pode ser feito pelo Instagram @projetonova, pelo site Projeto Nova ou pelo telefone (67) 3324-4200.
Assista a entrevista completa pelo link:







