A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, iniciou a semana nesta segunda-feira (26) entrevistando a psicóloga Avany Cardoso Leal, que abordou a evolução da saúde mental na sociedade, os desafios impostos pela era digital e a importância da ajuda profissional.
“Houve um aumento significativo na conscientização sobre a necessidade de cuidar da saúde mental e procurar profissionais (psicólogos, psiquiatras). A pandemia da Covid-19 acelerou essa mudança, diminuindo o preconceito e aumentando a busca por ajuda”, revelou.
Ela completou que a internet facilita o autodiagnóstico e a autoajuda, que frequentemente não são suficientes. “O olhar objetivo de um profissional é crucial, pois até mesmo psicólogos buscam terapia para si mesmos, dada a dificuldade de autoavaliação objetiva”, disse.
Avany Leal ressaltou que a sociedade atual glorifica a produtividade, levando muitas pessoas a acreditar que descansar é ser improdutivo, gerando culpa. “A conectividade constante, via celular e redes sociais, impede o desligamento do trabalho. Esse ciclo de não descanso pode desencadear ansiedade, estresse, burnout e depressão”, alertou.
Para a profissional, casos graves de ciberdependência (internet, jogos, tecnologia) exigem tratamento profissional e, em estágios iniciais, a conscientização e a modificação de comportamentos (ex: desligar o celular para dormir) podem ajudar.
“As redes sociais exibem apenas recortes ou personagens da vida das pessoas, geralmente mostrando apenas o que é legal ou bem-sucedido. As pessoas com baixa autoestima ou autoimagem frágil são mais suscetíveis a se comparar negativamente, o que pode levar a quadros de ansiedade e depressão”, analisou.
A psicóloga reforçou que é crucial desenvolver uma boa autoimagem e autoestima para não ser contaminado por essas comparações. “A moderação no consumo e exposição nas redes é uma forma de preservação”, comentou.
Como coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Insted, ela contou que os desafios incluem a dificuldade em prender a atenção dos alunos e estimular a leitura. “O tempo de tela e a velocidade da internet diminuíram a capacidade de concentração das pessoas e o interesse por conteúdos longos”, assegurou.
Avany Leal sugeriu que os professores usem metodologias ativas para tornar o aluno protagonista do seu próprio aprendizado, mantendo-o engajado e interessado. Sobre a utilização do ChatGPT nas terapias, ela disse que é uma prática categoricamente desaconselhada.
“O ChatGPT tende a fornecer respostas que o usuário deseja ouvir, podendo reforçar comportamentos desadaptativos. A psicoterapia exige o olhar do outro – a objetividade do profissional – para perceber e estruturar as modificações necessárias no funcionamento e comportamento do paciente”, argumentou.
A especialista ainda disse que buscar psicoterapia não é sinal de “loucura”, mas sim de inteligência, autocuidado e autopercepção. “Pedir e buscar ajuda profissional é um sinal de força, não de fraqueza. A campanha Janeiro Branco enfatiza a importância de se olhar, se cuidar e procurar ajuda sem preconceito”, concluiu.
Assista a entrevista completa pelo link:






