Entrevista com Hugo Carneiro e Leo Ormond da Banda Haiwanna na Top FM

A Trajetória de Resistência e Paixão da Banda Raivana

Com quase três décadas de estrada, a banda Raivana se consolidou como um dos pilares do rock em Campo Grande, uma terra tradicionalmente dominada pelo sertanejo. Prestes a completar 29 anos de carreira em junho, a trajetória do grupo começou de forma inusitada em um show na chácara do Latino, durante uma festa junina. Desde então, a banda percorreu o interior do estado e a capital, construindo um público fiel que atravessa gerações, chegando ao ponto de ver avós, filhas e netas compartilhando a mesma paixão e vestindo a camiseta do grupo em apresentações.

Hugo Carneiro, a voz à frente do projeto, descreve-se como um “pé vermelho” do interior que valoriza a conversa direta com os fãs após os shows. Sua identidade musical é um caldeirão de influências que remete principalmente ao rock brasileiro dos anos 80, como Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii e Ira!. No entanto, a sonoridade da Raivana não se limita a rótulos; ela bebe de fontes que vão de Moacir Franco e Luiz Melodia ao rock progressivo do Pink Floyd e ao pop dos Beatles. Essa versatilidade permite que a banda transite entre covers clássicos que o público adora e composições autorais profundas, como a canção “Super-herói”, inspirada no filme “O Poder de um Jovem”, e músicas que tocam em temas pessoais delicados, como a perda de entes queridos.

O entrevistado revelou que, apesar de ser um entusiasta das tradições — preferindo o som “no pelo”, feito na hora por um trio — ele não ignora as modernidades. Embora confesse ter certa dificuldade com tecnologias, Hugo mencionou experiências recentes com Inteligência Artificial para composições, destacando que a essência do trabalho continua sendo a conexão humana. Léo Ormonde, por sua vez, complementa essa trajetória como um renomado produtor musical na região, operando um estúdio que atende desde o rock ao gospel e sertanejo, utilizando a tecnologia para elevar a qualidade da produção local e atrair artistas de outros estados para gravar no Mato Grosso do Sul.

A resiliência é uma marca registrada da trajetória de Hugo. Ele admitiu que houve momentos de desânimo ao longo desses quase 30 anos, especialmente com as mudanças no comportamento do público, que hoje interage mais através de telas do que com a vibração direta na frente do palco. Contudo, o amor pela música e a capacidade de se reinventar — explorando facetas como mestre de cerimônias, comentarista esportivo e cantor de MPB solo — mantêm a chama da Raivana acesa. A banda continua ativa na cena noturna de Campo Grande, provando que o rock sul-mato-grossense tem história, força e, acima de tudo, um futuro que continua a ser escrito a cada acorde.

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