Nesta terça-feira (2), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou o coordenador do controle de vetores da SES (Secretaria Estadual de Saúde), Mauro Lúcio Rosário, que abordou o aumento preocupante de casos de arboviroses (dengue, zika e chikungunya) em Mato Grosso do Sul durante o período chuvoso e quente.
Ele destacou as ações governamentais para o combate e a crucial necessidade da participação da população na prevenção. “Somente a dengue teve 13.799 notificações, sendo 8.328 casos confirmados e 18 óbitos, sendo que ainda há 7 mortes em investigação. Já a Chikungunya apresenta-se como a maior preocupação, com 13.856 notificações, 7.552 casos confirmados e 16 óbitos. O alto número de óbitos não é considerado normal e a doença é temida por sua gravidade”, alertou.
Mauro Lúcio Rosário reforçou que o período chuvoso é identificado como crítico, pois intensifica a proliferação do mosquito e a incidência das doenças. “A SES anualmente reforça os 79 municípios com condições de combate, através de veículos e equipamentos, tendo sido distribuídas 49 caminhonetes (com meta de 79 até o início do ano) para o transporte de agentes e máquinas de bloqueio químico, mais de 400 bombas costais motorizadas e distribuição de inseticidas e larvicidas”, informou.
O coordenador do controle de vetores da SES acrescentou ainda que foram implantadas ovitrampas (armadilhas) em 48 municípios (com meta de 79 até o início do ano) para auxiliar no controle. “Temos promovido a capacitações, visitas técnicas e avaliações constantes nos 79 municípios para assegurar a eficácia das ações de combate. Apesar disso, existe um alto risco de epidemia, especialmente de Chikungunya”, voltou a lembrar.
Para ele, a chikungunya é significativamente mais grave que a dengue, pois, enquanto de 10 casos de dengue, de 1 a 2 podem exigir hospitalização, na chikungunya, de 10 casos, de 8 a 9 levam à internação. “A doença compromete as articulações, podendo incapacitar o indivíduo e exigir atenção médica e hospitalização, gerando preocupação com a capacidade de leitos. O Estado já está tomando medidas para reforçar a rede de saúde e evitar uma sobrecarga, baseando-se em experiências passadas de controle bem-sucedido de epidemias”, assegurou.
Mauro Lúcio Rosário pontuou que os municípios estão reforçando suas equipes, com novas contratações e ampliação das equipes de bloqueio químico. “As prioridades são as tarefas de força-tarefa, limpeza geral e bloqueio químico, complementando as visitas domiciliares contínuas. Há 36 máquinas pesadas de fumacê preparadas para uso e o monitoramento diário via Banco Sinan informa sobre o aumento de casos, permitindo intervenções químicas”, argumentou, explicando que se trata do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), um banco de dados de informação em saúde do Ministério da Saúde.
O coordenador do controle de vetores da SES explicou que a eficácia do combate depende crucialmente da colaboração da população, pois as ações do Estado e municípios sozinhos não são suficientes. “Mais de 90% dos focos do mosquito Aedes aegypti são encontrados dentro das residências. Há preocupação com a recusa de visitas de agentes e a ignorância de informações, o que mantém situações de risco nas casas”, revelou.
Ele comentou que mesmo pequenos acúmulos de água (como em latas ou cascas de ovos) são suficientes para a proliferação do mosquito, que pode nascer contaminado e transmitir a doença. “A responsabilidade é de todos. A população precisa dedicar tempo para inspecionar suas próprias casas. O Estado e municípios trabalham juntos para responsabilizar proprietários de terrenos baldios, ferros-velhos e borracharias (considerados pontos estratégicos)”, relatou.
Para encerrar, Mauro Lúcio Rosário fez um apelo à população para que, neste período chuvoso, dedique 10 minutos para vistoriar suas casas (interna e externamente). “A eliminação de qualquer acúmulo de água ou condição de risco dentro e fora das residências é fundamental para evitar uma epidemia e manter a situação sob controle. A vitória nesta guerra depende do entendimento de que o problema é de todos”, concluiu.
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