Entrevista com o deputado estadual João Henrique Catan, no Jornal da Top

Rede Top FM

A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, iniciou a semana, nesta segunda-feira (23), entrevistando o deputado estadual João Henrique Catan (PL), que tratou sobre a sua pré-candidatura a governador de Mato Grosso do Sul e suas severas críticas à gestão atual do governador Eduardo Riedel (PP).

“Estou em meu oitavo ano de mandato como deputado estadual e meu objetivo é promover novas discussões, aumentar a qualidade do debate parlamentar e garantir maior representatividade para a população, combatendo a temperatura morna da Assembleia Legislativa”, disse.

Ele se definiu como um advogado preparado e combativo, insatisfeito com a condução política tradicional. “Meu nome é competitivo nas pesquisas de intenções de votos e há um grupo em todo o Estado que deseja ver minha candidatura e um projeto diferente. Como único deputado de oposição ao atual governo na Casa de Leis, naturalmente concentro os esforços desse grupo”, explicou.

João Henrique Catan esclareceu que, embora seu partido tenha aderido à coalizão com a gestão de Eduardo Riedel, ele se declarou oposição desde o primeiro minuto. “Minha postura independente em governos anteriores me colocou em conflito por não passar pano ou concordar sem debate”, assegurou.

O parlamentar defendeu que o PL precisa ter uma identidade própria e não apenas agregar pessoas sem vínculo genuíno ou com problemas jurídicos. “Fui o candidato escolhido pelo Jair Messias Bolsonaro (ex-presidente da República pelo PL) para a Prefeitura de Campo Grande, mas o partido optou por outro caminho, o que não foi compreendido pelos eleitores e fortaleceu ainda mais a minha pré-candidatura ao governo”, analisou.

Ele afirmou que disputará o governo em qualquer oportunidade ou partido da direita que lhe dê espaço, sem se “acovardar” de possíveis decisões equivocadas do PL. “Vou brigar para que minha candidatura aconteça no PL, pois, se eu ganhar a eleição, vou focar em questões que afetam o cotidiano da população, como o custo de vida (combustível), a saúde e a infraestrutura”, argumentou.

A respeito da saúde pública, o deputado estadual acusou o governo de terceirizar a área de forma ineficiente e não para resolver problemas. “O Hospital Regional está sendo praticamente terceirizado, a Santa Casa está pedindo socorro e o Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores de Mato Grosso do Sul) é disfuncional. Falta de responsabilidade e qualidade nos serviços públicos prestados”, reivindicou.

João Henrique Catan criticou as pontes de concreto “mal feitas, mal dimensionadas, mal projetadas” que estão caindo, como o caso recente da “Ponte do Peixe”, no município de Rio Negro (MS), e também o Programa “Regularize Já”. “Esse programa está com o nome errado, tinha de ser chamado de ‘Autuação Já’ ou de ‘Notifique Já’, pois está implantando um regime de vigilância fiscal abusivo, o famoso ‘terrorismo fiscal’”, argumentou.

Para o parlamentar, o programa foi adotado porque o governo está “quebrado” e “no vermelho”, apesar de ter recebido R$ 3 bilhões em caixa. “Há um contingenciamento de 25% em contratos de obras e entregas públicas, mas não em contratos de publicidade para os amigos do governador ou benefícios fiscais para empreiteiros. Os microempreendedores e empresas do Simples Nacional estão sendo extorquidos e perseguidos para cobrir o rombo financeiro do Estado”, acusou.

Ele revelou que o governador renunciou a R$ 55 bilhões em receita fiscal até 2028 (mais de 30% do total arrecadado), mas não divulgou para quem foram esses benefícios. “Não sou contra incentivos fiscais, mas exijo transparência sobre os beneficiários e o cumprimento de contrapartidas. O Regularize Já calcula movimentos de PIX retroativamente há cinco anos, autuando empresas com base em faixas tributárias mais altas, gerando dívidas milionárias que os empresários não conseguem pagar, levando a pânico e desespero”, analisou.

No entendimento do deputado estadual, o governo editou uma resolução pela Sefaz (Secretaria Estadual de Fazenda) sem aprovação da Assembleia Legislativa para cobrar dívidas fiscais dos últimos cinco anos. “Isso é uma extorsão fiscal, pois 17% do valor devido mais 100% de multa, totalizando 34%, é uma falta de inteligência que levará à redução da arrecadação. Por isso, eu exijo a revogação da medida”, falou.

João Henrique Catan pontuou que a edição da resolução sem passar pela Assembleia Legislativa é uma forma de “alijar” os deputados estaduais do processo, configurando uma ação antidemocrática. “O governador prevaricou por não ter cobrado as supostas dívidas nos cinco anos anteriores e a cobrança agora é motivada por necessidade de caixa para o período eleitoral”, acusou, criticando a inércia do governador diante do que considera “coisas erradas” feitas por sua equipe.

O parlamentar completou ainda que o governador herdou o Estado com nota de crédito “A” e um caixa de R$ 3 bilhões do governo de Reinaldo Azambuja (PL) e o rebaixou para “B”, com risco de cair para “C”. “Isso é gastar mal. Campo Grande teve sua participação na receita de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias) reduzida de 22% no governo de André Puccinelli (MDB) para 11%, aumentando para 13% somente após as minhas denúncias”, garantiu.

Ele argumentou que Campo Grande, representando mais de 30% do Estado, deveria receber pelo menos 30% da receita. “Eu acredito que a administração estadual não gosta de Campo Grande nem da prefeita Adriane Lopes (PP) por não dar condições de melhorar a situação do município. Os municípios do interior estão sofrendo com atrasos nos repasses obrigatórios de saúde e outros fundos, sendo que o pagamento do 13º salário dos servidores estaduais foi feito através de pedalada fiscal, ou seja, atrasando outros recebimentos constitucionais”, denunciou.

O deputado estadual se apresentou como uma alternativa para aqueles que rejeitam decisões arbitrárias, “jogo combinado”, mentiras e covardia na política do Mato Grosso do Sul. “Eu sou o deputado estadual mais jovem eleito por duas vezes porque tenho representatividade, coragem e posicionamento, sem aceitar ordens da velha política. Recebi um convite do partido Novo e vejo a legenda como um espaço para lideranças que buscam programas de direita e se sentem desconfortáveis com acordos políticos que não as representam”, ressaltou.

João Henrique Catan disse acreditar que sua candidatura pode levar a um segundo turno, promovendo um embate de alto nível, mais democrático e com maior qualidade. “Será que a população deseja mais 16 anos do mesmo estilo de governo do PSDB? Eu me sinto preparado para o desafio, com base em minha experiência como trabalhador desde cedo e nos exemplos dos meus avós. Quero solicitar aos ouvintes que continuem enviando ideias, críticas e sugestões através de meu Instagram, bem como reforçar meu compromisso em transformar o Estado”, concluiu.

Assista a entrevista completa pelo link:

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