A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quarta-feira (10), o deputado estadual João Henrique Catan (PL), que apresentou sua visão política para Mato Grosso do Sul, criticando a gestão atual do governo estadual e municipal, defendendo o setor rural e a propriedade privada, além de discutir sua provável pré-candidatura a governador, com foco na necessidade de transparência e de uma nova abordagem política.
“Tenho de enfatizar a importância da transparência nos bastidores da política e a necessidade de enfrentar turbulências para promover mudanças, pois um bom marinheiro é forjado na tempestade. Por isso, como defendo o conceito de sabatina pública para indicações políticas, é justo ser sabatinado pela mídia”, assegurou.
Advogado e deputado estadual, ele se apresentou como parte de uma nova geração de gestores com pensamento renovado para a política. “Eu uso o Direito como ferramenta para corrigir injustiças e promover o aprimoramento pessoal e a transformação social. Fui eleito deputado estadual mantendo a humildade e ouvindo a realidade das pessoas”, declarou.
O parlamentar completou que sua independência financeira foi garantida pela atuação como advogado, o que lhe permite falar abertamente sem medo de revés político, pois está preparado constitucionalmente. “Fui o deputado estadual mais jovem eleito em 2018 e isso depois da minha primeira derrota eleitoral na eleição para vereador, que considero uma vitória política contra o sistema, pois me preparou para o enfrentamento”, garantiu.
Sobre a provável pré-candidatura a governador de Mato Grosso do Sul, João Henrique Catan destacou que seu nome apareceu bem em pesquisas de intenções de votos, mesmo estando no PL, que tem um pré-acordo para a reeleição do atual governador Eduardo Riedel (PP). “A boa avaliação nas pesquisas é uma ferramenta para o PL entender o sentimento da população, que não quer a extrema-esquerda, nem à reeleição do Riedel”, argumentou.
O deputado estadual questionou se o PL apostará em seu próprio quadro ou no “projeto progressista” do atual governador. “A imagem de ‘hipergestor’ de Riedel não está surtindo efeito nas políticas públicas, que não estão sendo entregues como prometido. O governador projeta renunciar a R$ 13 bilhões em benefícios fiscais até 2028, quase metade do orçamento de R$ 25 bilhões, sem transparência sobre os beneficiários. Esses benefícios realmente se revertem para a população?”, questionou.
Infraestrutura rodoviária
Ele também criticou os contratos de concessão de longo prazo (15, 20, 30 anos), como a duplicação Campo Grande-Ribas do Rio Pardo em 35 anos. “É vergonhoso que o Estado renuncie a quase 50% do orçamento e não tenha uma ligação rodoviária dupla com o maior mercado consumidor do país, que é São Paulo, via Bataguassu-Três Lagoas-Paranaíba. Por isso, defendo que o governo deve atuar onde a iniciativa privada não tem interesse”, comentou.
O parlamentar lembrou que a malha rodoviária do Estado é deficitária, mesmo tendo o Fundersul, que poderia pavimentar a maioria das rodovias em 8-10 anos caso 100% dos recursos fossem direcionados para isso. “O Riedel, que foi presidente da Famasul, questionou a legalidade do Fundo junto ao STF, mas como governador considera legal e não destina 100% à pavimentação”, comparou.
A respeito da saúde pública, João Henrique Catan disse que essa área enfrenta problemas gravíssimos e o sofrimento da população é perceptível. “Uma Parceria Público-Privada (PPP) de mais de 30 anos para o setor de saúde foi suspensa por um conselheiro recém-nomeado do Tribunal de Contas do Estado, que identificou irregularidades sérias. A exclusão da Parcela C do contrato (grande parte de investimentos e insumos contratados em dólar) permitiria reajustes futuros do valor ao longo de 30 anos, beneficiando a empresa”, revelou.
Para o deputado estadual, a empresa envolvida já foi investigada ou condenada na Operação Lava Jato por distribuição de propina. “A Assembleia Legislativa concedeu garantia para um empréstimo de US$ 80 milhões de bancos internacionais para viabilizar essa PPP, que movimenta cerca de R$ 16 milhões mensais”, denunciou.
Ele ainda abordou a má gestão e corrupção na Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul). “A Cassems enfrenta denúncias e uma crescente perda de credibilidade, com seu patrimônio sendo dilapidado e vendido a preço de banana. Servidores acreditam que os imóveis da Cassems lhes pertencem, mas eles estão alugados sob contratos simulados e fajutos de 10 a 15 anos, em que investidores recuperam seu dinheiro em 4 a 5 anos”, reclamou.
Além disso, conforme o parlamentar, são citados contratos superfaturados e imóveis sendo entregues a construtoras por valores abaixo do que a própria Cassems pagou. “Um terreno de 25 mil m² no Bairro Nova Lima, comprado por R$ 3 milhões em 2018, foi vendido a uma construtora por R$ 2,8 milhões em 2025, enquanto seu valor de mercado real seria de R$ 13 milhões. As construtoras envolvidas são as mesmas que constroem em condomínios de luxo onde moram diretores da Cassems”, assegurou.
João Henrique Catan ressaltou que, apesar de receber R$ 500 milhões anuais em subsídio do governo e R$ 800 milhões descontados da folha dos servidores públicos, a qualidade dos serviços da Cassems está em declínio. “É urgente que os servidores resgatem o controle das decisões da Cassems e que seja realizada uma auditoria completa, que resultará em muita gente na cadeia”, projetou.
Cenário político
Sobre política, ele esclareceu que a questão não é sua saída do PL, mas a entrada de membros de outros partidos, especialmente do PSDB, na legenda.
“Eu defendo que o PL deve manter sua identidade e conexão com seu eleitorado de direita, sem ceder a acordos que possam diluir seus ideais. A ideia de alianças com partidos que já demonstraram inconsistência ou buscaram o PL para salvação política, como o PT que, após apoiar o governador Eduardo Riedel, pode lançar candidatura própria”, citou.
O parlamentar argumentou que o PL, sem essas composições, elegeria mais parlamentares (federais e estaduais) e senadores, pois as alianças propostas (com o PSDB, por exemplo) não seriam benéficas para a militância e a entrega de resultados do partido.
“Por isso, defendo a importância de o PL lançar uma candidatura própria ao Governo do Estado, já tem em seus quadros nomes como o ex-deputado estadual Capitão Contar e do deputado federal Marcos Pollon, além do meu, é claro, para fortalecer a direita verdadeira e eleger mais representantes alinhados com os princípios do partido”, afirmou.
Assista a entrevista completa pelo link:







