Nesta quinta-feira (6), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou o deputado estadual Junior Mochi (MDB), que tratou sobre mudanças na gestão pública e política, nos desafios financeiros dos municípios, na complexidade de uma concessão de autoestrada e nas dinâmicas políticas internas de um partido.
“As mídias sociais, inexistentes no meu primeiro mandato como prefeito de Coxim, tornaram-se um pilar relevante e fundamental na política atual. Elas são cruciais tanto para a disseminação de informações sobre uma boa gestão quanto para a propagação de críticas que as administrações recebem. Essa nova realidade exige que os gestores públicos estejam muito preocupados em trabalhar eficazmente com as mídias sociais, que agora moldam as administrações municipais”, declarou.
Na avaliação de Junior Mochi, a Constituição Federal de 1988 transferiu muitas obrigações aos municípios sem a devida contrapartida de recursos, gerando um desequilíbrio. “Há uma concentração exagerada de recursos orçamentários nas mãos da União, com os municípios recebendo apenas cerca de 15 a 16 cêntimos por cada real arrecadado. Embora a União e o Estado contribuam com recursos, a maior parte das tarefas e o cuidado básico da saúde pública recaem sobre os municípios”, lamentou.
Ele comentou que, enquanto o município tem que investir no mínimo 15% do seu orçamento em saúde (raramente investe menos de 22-25%), o Estado cumpre seus 12% e a União não tem percentual fixo, investindo apenas o mínimo do ano anterior mais inflação. “Por isso, eu defendo o movimento ‘Saúde Mais 10’ para que a União invista pelo menos 10% da sua arrecadação na saúde pública. A população não compreende claramente a divisão de competências, o que agrava o peso sobre os municípios”, assegurou.
Sobre a concessão da BR-163 em Mato Grosso do Sul, o deputado estadual recordou que realizou oito audiências públicas em municípios ao longo da BR-163 para discutir a concessão. “Ele previa a duplicação em cinco anos, o que não ocorreu (apenas 0,18% duplicado), apesar da cobrança de pedágios. Em maio, uma proposta de repactuação foi aceita pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Em 22 de maio, a empresa Motiva (cujos acionistas são os mesmos da empresa anterior, CCR MSVia) venceu o leilão do contrato repactuado”, descreveu.
Mochi argumentou que a sociedade exige explicações e justificativas sobre o que aconteceu e os recursos arrecadados no período anterior à repactuação. “A Assembleia Legislativa exige que a Motiva preste contas à Casa de Leis a cada 90-120 dias sobre as ações do novo contrato para evitar repetição dos erros passados. O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito para apurar os fatos após denúncia da comissão e a Motiva foi notificada a apresentar documentos”, detalhou.
Atualmente, conforme ele, há sete pontos de obras ativos na BR-163, com a empresa adiantando trabalhos, especialmente em trechos críticos como Mundo Novo, Itaquiraí e Eldorado. “Duas empresas, Terpa e outra, estão a operar nas regiões de Campo Grande a Mundo Novo e Campo Grande a Sonora. Agora, acredito que a empresa cumprirá o pactuado no novo contrato, embora reconheça que possa apenas ser um sonho nosso”, falou.
A respeito do cenário político do MDB no Mato Grosso do Sul, Junior Mochi relembrou que o partido estabeleceu um acordo para apoiar a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e a eleição do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) para o Senado Federal. “Este compromisso foi apalavrado pelas principais lideranças do partido no Estado. Por isso, existe uma situação delicada com Simone Tebet, que, como ministra do Planeamento e Orçamento, terá de apoiar o presidente Lula à reeleição. No entanto, o alinhamento estadual do MDB pode entrar em conflito com essa posição dela”, alertou.
O parlamentar acrescentou que é contra à ideia de um “palanque independente”, ou seja, apoiar Riedel para governador e Lula para presidente, considerando-o politicamente complicado e “muito ruim” para o MDB, pois a população exige clareza nos posicionamentos políticos.
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