Entrevista com o deputado federal Vander Loubet, no Jornal da Top

A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana, nesta sexta-feira (12), entrevistando o deputado federal Vander Loubet (PT), que fez uma avaliação da carreira, sobre a própria saúde, os planos para as eleições de 2026 e o cenário político de Mato Grosso do Sul, com foco no papel do PT e em futuras candidaturas.

“Tenho mais de 20 anos na Câmara dos Deputados. São seis mandatos consecutivos pelo mesmo partido, demonstrando minha coerência política e fidelidade aos princípios partidários, diferentemente da maioria que pula de partido em partido. Nesse período, minha principal habilidade foi entender a lógica de Brasília, onde decisões ocorrem fora do plenário e comissões, exigindo dedicação e presença contínua”, assegurou.

Ele também disse que o tripé de sucesso dos seus mandatos parlamentares foi construído sobre três pilares: legislativo, que é o papel como legislador, proposição de leis e projetos; partidário, que é a organização e construção do partido, atração de novas lideranças; e os movimentos sociais, que são a construção de relações com esses movimentos.

A respeito do diagnóstico de câncer de próstata, Vander Loubet lembrou que a doença foi detectada em estágio inicial, encapsulado, durante um exame de rotina. “Não precisou de radioterapia devido à detecção precoce. Por isso, enfatiza a importância dos exames de rotina para homens, combatendo o preconceito e evitando diagnósticos tardios com metástase”, declarou.

Para 2026, o deputado federal reforçou que é pré-candidatura ao Senado. “Acho que chego ao fim de um ciclo na Câmara e, por isso, decidi não buscar a reeleição como deputado federal, acreditando ter cumprido minha missão após seis mandatos. Sobre o Senado, vejo um cenário favorável para disputar uma das duas vagas, pois acredito que a potencial reeleição do presidente Lula fortalecerá as candidaturas alinhadas, como historicamente os presidentes eleitos impulsionaram a eleição de um senador no Estado”, afirmou

O parlamentar busca consolidar 400 mil votos do PT e atrair mais 200 mil, totalizando 600 mil votos, número que considera suficiente para ser eleito senador. “Mantenho boa relação com prefeitos (independentemente de partido) e espero o segundo voto desses grupos, mesmo sem subirem meu palanque, devido ao meu histórico de ajuda aos municípios”, projetou.

Fábio Trad

A respeito da possível pré-candidatura do ex-deputado federal Fábio Trad (PT) a governador do Estado, Vander Loubet disse que o PT em Mato Grosso do Sul sempre esteve à frente do PT Nacional, como na eleição do deputado estadual Zeca em 1998, que rompeu com a regra de alianças e elegeu o governador. “Vejo o Fábio como a nova liderança do PT no Estado, comparando-o ao Zeca em 1998. Pessoa com forte inserção nas mídias sociais, capacidade de debate político, profissional liberal e família tradicional”, citou.

Para o parlamentar, o PT quer Fábio Trad como candidato a governador e ele fará uma turnê pelos 79 municípios do Estado com uma equipe de comunicação para conhecer as demandas e construir um programa de governo. “O Edinho, presidente do PT Nacional, visitará o Estado para discutir o cenário e deve conversar com o Fábio sobre a candidatura”, revelou.

A respeito da polarização entre direita e esquerda no Estado, ele disse que reconhece o caráter conservador de Mato Grosso do Sul, mas relembrou o histórico de superação do PT, como na disputa pela Prefeitura de Campo Grande por Zeca em 1996 e sua posterior eleição para governador em 1998.

Com relação ao governador Eduardo Riedel (PP), o deputado federal citou a parceria federal-estadual. “O governo federal tem sido um parceiro do governador Riedel, destinando recursos significativos para o Estado apesar da saída do PT do governo estadual devido à opção dele de fazer uma aliança com o PL. A relação institucional é mantida para garantir o fluxo de investimentos federais aos municípios. Acredito que os investimentos devem chegar aos municípios, onde os cidadãos vivem e as necessidades são mais prementes”, comentou.

Vander Loubet abordou também que Mato Grosso do Sul, incluindo Campo Grande, ainda enfrenta desafios significativos. “A saúde pública é o principal gargalo, pois, apesar do Sistema Único de Saúde (SUS) ser um modelo e referência, há uma carência notável de investimento e recursos. É imperativo um esforço concentrado e conjunto entre municípios, estado e governo federal para melhorar a situação”, cobrou.

Ele recordou que, recentemente, o presidente Lula criou um fundo de financiamento com juros subsidiados para Santas Casas, hospitais e aquisição de equipamentos, com parte dos recursos vindo do orçamento via Ministério da Saúde para estados e municípios.

Simone Tebet

O parlamentar tratou sobre as especulações com relação ao futuro político da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB). “Há conversas sobre sua possível ida para o PT e uma candidatura ao Senado por Mato Grosso do Sul ou São Paulo. No entanto, atualmente no MDB, não há conversas sobre ela vir para o PT. A ministra informou que a palavra final sobre seu futuro será definida em uma conversa com o presidente Lula”, adiantou.

O entrevistado expressou grande orgulho por Simone Tebet, reconhecendo sua “coragem política” por apoiar Lula no segundo turno das eleições passadas. “Sua atuação como ministra do Planejamento e Orçamento é vista como estratégica e bem avaliada pelo Lula. Por isso, a primeira decisão de Tebet será se permanece com domicílio eleitoral em Mato Grosso do Sul ou se muda para São Paulo, pois, para mim, o Estado se tornou pequeno para sua projeção nacional”, analisou.

Vander disse que a ministra é cogitada como uma forte candidata a vice-presidente de Lula, especialmente se houver a necessidade de renovar a chapa presidencial, por exemplo, se o atual vice, Geraldo Alckmin, se candidatar a governador de São Paulo. “Sua visibilidade e papel como mulher a tornam uma forte opção. Caso transfira seu título para São Paulo, ela poderia concorrer ao Senado ou até a governadora”, apostou.

No entanto, conforme o deputado federal, se ela optar por permanecer no Estado, estará aberto ao diálogo, contudo, será difícil Simone conciliar a campanha de Lula com o apoio à reeleição do governador atual, já que o MDB está comprometido com Riedel. “Sugiro que um caminho seria ela se filiar ao PSB ou assumir a liderança do MDB local para apoiar um projeto alinhado com a reeleição de Lula, possivelmente disputando uma das vagas ao Senado, seja com ele próprio ou em uma chapa única”, assegurou.

Assista a entrevista completa pelo link:

Facebook
Twitter
WhatsApp

Leia Também