Entrevista com o empresário Jaime Valler, no Jornal da Top

Nesta quinta-feira (2), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou o empresário Jaime Valler, que era pré-candidato a governador e anunciou sua desistência da corrida política para focar em seus negócios.

“A saída da disputa foi motivada principalmente por razões pessoais e profissionais, incluindo a decisão de me dedicar integralmente aos meus empreendimentos. A falta de apoio familiar foi determinante, pois minha esposa não deu a bênção. Apesar de me considerar um bom administrador e acreditar que poderia deixar um legado relevante sem buscar retorno financeiro ou salário, optei por não seguir na política, que classifico como muito complicada e um negócio para políticos”, afirmou.

Além disso, ele revelou que seu então vice, um empresário de São Paulo, também foi convencido a não ingressar na disputa eleitoral. “Com a desistência, o meu foco passa a ser a expansão de novos projetos empresariais. Pretendo investir em empreendimentos de grande porte com alcance nacional e até internacional, especialmente nos setores de cannabis e energia, com atuação no Centro-Oeste e Nordeste”, revelou.

Jaime Valler declarou que, mesmo fora da corrida eleitoral, continuará participando do debate público, contribuindo com propostas e análises, principalmente voltadas ao agronegócio, além de manter a geração de empregos por meio de suas empresas.

Durante a entrevista, o empresário fez críticas diretas à postura de parte do setor produtivo, pois muitos empresários evitam a política e acabam permitindo que outros decidam as regras do jogo. “Se escondem atrás das empresas”, afirmou, ao defender maior engajamento da classe.

Crise no agro

Ele também traçou um cenário preocupante para o agronegócio, com destaque para a produção de soja em Mato Grosso do Sul. Ele citou dificuldades como problemas climáticos, endividamento elevado e queda na produtividade — mencionando casos de lavouras com apenas 15 sacas por hectare em regiões como Maracaju (MS).

O empresário relatou experiências próprias no setor, incluindo a ausência de recebimento de arrendamentos por cinco anos e até o perdão de dívidas relevantes, o que, segundo ele, ilustra a gravidade da situação.

“Há uma mudança estrutural na economia brasileira. Em conversa com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), fui informado de que o petróleo ultrapassou a soja como principal produto de exportação do país, seguido pelo minério. Esse dado é um sinal de alerta para o agro”, avisou.

Como alternativa, Jaime Valler defendeu a diversificação das culturas, sugerindo, por exemplo, o cultivo de amendoim, e criticou a dependência excessiva da soja, que classificou como um produto “politizado”.

Pecuária

Em contraste, o empresário demonstrou otimismo com a pecuária. “A proteína animal, especialmente a carne bovina, deve se manter como um dos pilares do agronegócio, devido à forte demanda internacional e ao alto valor agregado. Mesmo com restrições em mercados como a China, outros países tendem a absorver a produção brasileira, garantindo competitividade ao setor”, assegurou.

Ele também defendeu uma revisão ampla da política agrícola nacional, citando o avanço da autossuficiência de países como China e nações africanas na produção de soja, o que pode reduzir a competitividade brasileira.

“É necessário que o governo promova um alinhamento entre setores produtivos para proteger empresas locais que enfrentam dificuldades, em vez de priorizar apenas a atração de grandes indústrias estrangeiras, que geram empregos automatizados e pouco impacto social”, argumentou.

Jaime Valler ainda criticou a atuação da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS), apontando falhas na qualificação profissional e na gestão de recursos destinados à criação de um Centro de Tecnologia do Couro (CTC), projeto que, segundo ele, não avançou.

Ao comentar o cenário político, o empresário reforçou a defesa de maior participação de empresários na gestão pública, argumentando que o país precisa de líderes com experiência na geração de empregos e conhecimento prático da economia.

“Mesmo fora das urnas, continuarei atuando nos bastidores, contribuindo com ideias e defendendo mudanças estruturais para o desenvolvimento do Estado e do país”, reforçou.

Assista a entrevista completa pelo link:

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