A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta terça-feira (12), o ex-prefeito de Dourados, Alan Gudes (PP), que abordou a delicada situação da saúde pública no seu município, a avaliação de sua gestão e suas propostas como pré-candidato a deputado federal para o fortalecimento da saúde nos municípios de Mato Grosso do Sul, além de temas sobre representatividade política e polarização.
“Mato Grosso do Sul precisa ampliar a representatividade do interior no Congresso Nacional e reforçar os investimentos em saúde pública, especialmente nas cidades que atendem pacientes de toda a macrorregião”, disse durante entrevista, avaliando o atual cenário da saúde em Dourados, marcado pelo aumento de casos de chikungunya e mortes relacionadas à doença.
Segundo ele, a cidade enfrenta um momento crítico, agravado por falhas na prevenção e pela demora na contratação de novos agentes de endemias. “Apesar do apoio enviado pelo Governo Federal com equipes e materiais, a resposta municipal foi lenta. Os vereadores e agentes de saúde também criticaram essa condução do combate à doença pelo município”, reforçou.
Ao comentar sua própria gestão à frente da Prefeitura, Alan Guedes afirmou que todos os grandes municípios enfrentam dificuldades na saúde pública, mas lembrou que administrou Dourados durante o período mais crítico da pandemia de Covid-19, em 2021. “Minha administração ampliou investimentos no setor e fortaleceu a estrutura de atendimento, como a contratação de 20 médicos, a reestruturação de equipes da atenção básica, a compra de equipamentos odontológicos e o abastecimento integral das farmácias da rede municipal com medicamentos da atenção primária”, citou.
O ex-prefeito também ressaltou o aumento do percentual de recursos próprios aplicados na saúde, que teria passado do mínimo constitucional de 12,5% para cerca de 17% a 18% da arrecadação municipal. “Os investimentos anuais chegaram a aproximadamente R$ 600 milhões. Além disso, a abertura do Hospital Regional da Grande Dourados representou um avanço importante para a região sul do Estado”, pontuou.
Ele afirmou que o Hospital da Vida continua sendo a principal referência do SUS (Sistema Único de Saúde) na cidade, mas considera a estrutura insuficiente para atender toda a demanda da macrorregião, formada por mais de um milhão de habitantes.
Sobre uma possível atuação na Câmara dos Deputados, Alan Guedes defendeu que deputados federais direcionem emendas parlamentares mais robustas para os municípios que concentram atendimentos de média e alta complexidade. “Cidades-polo como Dourados, Campo Grande, Corumbá e Três Lagoas acabam assumindo custos elevados ao receber pacientes de dezenas de municípios menores”, argumentou.
O pré-candidato a deputado federal afirmou que um parlamentar federal pode destinar mais de R$ 20 milhões por ano em emendas e argumentou que esses recursos precisam ser aplicados de forma estratégica para fortalecer hospitais regionais e desafogar o sistema de saúde.
Ele também criticou a redução da representatividade política do interior de Mato Grosso do Sul em Brasília (DF). “A maioria dos atuais deputados federais reside na Capital, enquanto cidades do interior perderam espaço político nos últimos anos. Dourados já teve até três deputados federais representando a região. Hoje o interior precisa voltar a ter voz própria no Congresso”, afirmou.
No campo político, o ex-prefeito se definiu como integrante da centro-direita e fez críticas ao cenário de polarização ideológica no país. “O debate político tem sido dominado por disputas nas redes sociais, enquanto problemas práticos da população deixam de ser prioridade”, lamentou.
Alan defendeu que o foco da política deve estar na entrega de serviços públicos de qualidade e não em embates ideológicos. “A população espera resultados concretos, principalmente nas áreas de saúde, transporte e infraestrutura”, pontuou.
Ao comparar sua experiência no Legislativo e no Executivo, o ex-prefeito afirmou que o cargo de prefeito exige maior responsabilidade por concentrar as decisões administrativas e responder diretamente pelas ações do governo municipal.
Ele lembrou que comandou Dourados durante a pandemia, período que classificou como a maior crise de sua geração. “Pretendo utilizar a pré-campanha para ampliar o diálogo com a população em diferentes regiões do Estado. Apesar da ligação com Dourados, acredito no apoio de eleitores também em Campo Grande e em outras cidades de Mato Grosso do Sul”, concluiu.
Assista a entrevista completa pelo link:






