A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, abriu a semana entrevistando nesta segunda-feira (18) o jornalista Manoel Afonso, que falou sobre os 126 anos da Capital. “Campo Grande é mais do que uma cidade, pois, segundo os sociólogos, existem duas cidades. A cidade que você passa, que você tem uma visão arquitetônica da paisagem dela e a cidade que você vai morar, que você vai conviver no dia a dia”, declarou.
Ele completou que os sociólogos têm algumas objeções quanto a Campo Grande porque, como toda cidade, ela é formada por pessoas de origens diferentes, que vieram de locais diferentes e com intenções de vencer na vida. “Esse termo vencer na vida é muito relativo, mas Campo Grande, em função da miscigenação de raça, tem alguns aspectos um pouco diferentes de cidades tradicionais, das cidades mineiras, das cidades do interior de São Paulo, das cidades mais velhas e que também são produtos de miscigenação”, explicou.
O jornalista destacou que, aqui em Campo Grande, há uma grande reclamação da falta de sensibilidade das pessoas. “Poucas pessoas têm coragem de dizer isso, mas, eu preciso dividir uma pergunta interessante: onde é que você encontra seus amigos em Campo Grande? Difícil de responder, né? Aqui, as pessoas te cumprimentam formalmente, aquele cumprimento de elevador, do dia a dia. Isso é culpa da falta, por exemplo, da latinidade, que faz muita falta. A latinidade é composta principalmente pelas pessoas de origem espanhola, italiana e portuguesa, que são pessoas que falam muito, que têm alma, que são mais transparentes, exteriorizam seus sentimentos, seus pensamentos”, argumentou.
Aqui em Campo Grande, conforme Manoel Afonso, falta isso. “Aqui, as pessoas são recolhidas. As pessoas, por exemplo, não buzinam para cumprimentar. Os vizinhos não se comunicam, são muito distantes uns dos outros. Eu vou dar um exemplo pessoal, pois tenho um pé de manga lá em casa e, na época das mangas, saio distribuindo mangas pela minha vizinhança. Bato palmas no portão e as pessoas ficam até assustadas. Eu faço das mangas um processo de socialização e percebo que os vizinhos levam um susto porque ofereço as mangas ao invés de vendê-las”, revelou.
Ainda durante a entrevista, ele levantou outro questionamento: qual é a Praça Principal de Campo Grande? “Se você fizer uma pesquisa, poucas pessoas vão saber. Onde é a Praça Principal? Onde é a Igreja da Matriz? Então, falta esse ponto de convergência. Você vê a Praça Principal da cidade cercada por uma grade e isso aí é um absurdo. Quer dizer, do ponto de vista social, você inibe as pessoas”, lamentou.
Na opinião do jornalista, os moradores de Campo Grande não se abraçam. “Esses tempos eu conversei com um cidadão que era candidato a vereador e disse para ele: pô, você anda com o carro com o vidro erguido, que ainda é escurecido, assim fica difícil as pessoas te enxergarem para te cumprimentar. Eu não vejo as pessoas colocando o braço fora do vidro e cumprimentando, dizendo, olha, vai aqui em casa, apareça lá. Eu não vejo isso em Campo Grande, pois as pessoas são muito formais. Alguém já disse, mas é culpa da colônia japonesa. Não, não é, pois, a colônia japonesa se abriga exatamente onde ela se identifica”, ressaltou.
Para finalizar, Manoel Afonso destacou que quem acreditou em Campo Grande fez sucesso e ganhou muito dinheiro aqui na cidade. “O espaço é bonito, a cidade é ampla, o clima é bom, quem vem do Sul, principalmente, fugindo do frio, chega aqui e não quer voltar. Agora eu só quero insistir nisso, Campo Grande é uma cidade de saudades. As pessoas vivem com saudades, imaginando voltar para a terra onde elas saíram”, afirmou.
Assista a entrevista completa pelo link:






