A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, iniciou a semana, nesta segunda-feira (8), entrevistando o médico infectologista Roberto Braz, que tratou sobre a importância da conscientização contínua, testagem, tratamento e prevenção do HIV/AIDS e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), como sífilis e HPV, em Campo Grande, destacando os desafios do estigma e do abandono do tratamento.
“A luta contra o HIV/AIDS persiste por 40 anos, com aumento de casos e mortes evitáveis. O tratamento moderno é simples e eficaz, permitindo uma vida normal para pessoas com HIV. Por isso, é crucial falar sobre o tema o ano todo, não apenas em datas específicas, para orientar sobre testagem e tratamento”, pontuou.
Ele completou que o município de Campo Grande realiza testagens rápidas e gratuitas para HIV, sífilis, hepatite B e C. “Os testes estão disponíveis em pontos estratégicos (supermercados) e em todas as unidades de saúde da cidade. Os resultados são liberados em 15 minutos, com garantia de sigilo e acolhimento adequado em caso de resultado positivo. É fundamental superar o preconceito e o medo de fazer o teste, sendo a testagem anual recomendada para todos com vida sexualmente ativa”, alertou.
Roberto Braz revelou ainda que 162 pessoas morreram de AIDS em Mato Grosso do Sul no ano anterior, muitas vezes devido ao estigma que impede o diagnóstico precoce. “Atualmente, o tratamento consiste em apenas dois comprimidos diários (comparado aos 15-20 do antigo coquetel) e é distribuído gratuitamente nas unidades de saúde e centros especializados”, informou.
O médico infectologista também reforçou que, com tratamento regular (geralmente de 3 a 6 meses), o vírus se torna indetectável, o que significa que a pessoa não o transmite sexualmente nem para o bebê durante a gravidez. “Dos mais de 11 mil soropositivos no Estado, 832 abandonaram o tratamento neste ano, principalmente devido ao estigma e ao preconceito social, além de questões de saúde mental e uso/abuso de substâncias”, argumentou.
Ele pontuou que a interrupção do tratamento reativa a multiplicação do vírus, enfraquece o sistema imunológico, aumenta o risco de transmissão e de progressão para a fase avançada da doença (AIDS). “O município está realizando uma busca ativa para reengajar esses pacientes no tratamento”, avisou.
Sobre a sífilis, uma IST curável e ainda em alta entre a população, Roberto Braz explicou que se trata de uma infecção bacteriana, tratável e curável com antibióticos (penicilina injetável). “A alta prevalência se deve à falta de prevenção além do preservativo. A doença pode ser silenciosa, manifestando-se em estágios com feridas ou manchas que desaparecem espontaneamente, levando à falta de busca por tratamento”, informou.
O profissional comentou que a ausência de tratamento pode levar a graves complicações neurológicas, cardíacas e, em gestantes, pode resultar em sífilis congênita no bebê, com sérias consequências, sendo que o pré-natal adequado inclui a testagem para sífilis.
O médico também abordou a questão do HPV. “É um vírus que causa verrugas genitais e pode evoluir para câncer (principalmente de colo de útero em mulheres). A vacina contra o HPV é um grande avanço na prevenção e está disponível para adolescentes, usuários da PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV) e pessoas imunossuprimidas. É preciso ter atenção às lesões e buscar por tratamento precoce”, aconselhou.
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