Entrevista com o pré-candidato a governador Lucien Rezende, no Jornal da Top

A 1ª edição do programa Jornal da Top, O Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou, nesta quarta-feira (15), o pré-candidato a governador Lucien Rezende (PSOL), que discutiu suas propostas, visão política e a atuação de seu partido.

Ele fez uma análise crítica do cenário político de Mato Grosso do Sul, abordando desde a recente janela partidária até propostas para áreas como segurança pública, saúde e educação. “Quero reforçar o caráter ideológico do meu partido para defender uma atuação política baseada em coerência programática”, declarou.

Ao comentar a janela partidária, Lucien Rezende criticou o que classificou como prática recorrente de troca de legendas sem compromisso ideológico. “Há um pula-pula de partidos no Estado, em que políticos mudam de sigla por conveniência eleitoral e voltam a se alinhar após o pleito”, reforçou.

Em contraponto, o pré-candidato destacou que o PSOL tem identidade programática definida, com foco especial na pauta ambiental. “O partido atuou com cautela no período de filiações, buscando quadros que contribuam para o fortalecimento da legenda e o cumprimento da cláusula de barreira”, lembrou.

No campo das propostas, ele afirmou que pretende fazer uma gestão “totalmente diferente” do atual governo estadual, que classificou como alinhado ao bolsonarismo. “O aumento dos casos de feminicídio e a naturalização da violência contra a mulher não pode continuar. Como alternativa, defendo uma maior qualificação de agentes de segurança para o atendimento às vítimas, pois os modelos atuais de acolhimento não garantem atendimento adequado”, assegurou.

Lucien também propôs a inclusão de conteúdos educacionais voltados ao combate ao machismo desde a pré-adolescência, além de campanhas de conscientização, enquanto na saúde o entrevistado criticou a falta de avanços na regionalização prometida pelo governo. Já na educação, apontou desigualdades entre professores temporários e concursados.

“De forma geral, a gestão estadual tenta maquiar indicadores e priorizar discurso em detrimento de soluções concretas. Por isso, defendo uma gestão mais humanizada, com foco nos trabalhadores e maior abertura ao diálogo com sindicatos e entidades representativas”, argumentou.

Segundo ele, o Estado é marcado por uma estrutura conservadora, com forte influência do agronegócio, que atenderia a interesses restritos. “Enfrentamos hoje as parcerias eleitorais, como a distribuição de equipamentos públicos condicionada ao alinhamento político de prefeitos. Defendo relações institucionais baseadas em critérios técnicos”, comentou.

Outro ponto abordado foi a escala de trabalho 6×1, que classificou como ultrapassada e prejudicial à saúde dos trabalhadores. “O impacto dessa escala é brutal, especialmente sobre as mulheres, que acumulam múltiplas jornadas. Por isso, defendo a adoção de modelos como a escala 5×2, com maior tempo de descanso”, sugeriu.

Ao falar de sua trajetória, Rezende avaliou como positiva sua militância de duas décadas no PSOL, destacando o papel do partido na promoção de pautas sociais e na ampliação da representatividade, especialmente de mulheres e da comunidade LGBTQIA+. “A deputada federal Erika Hilton, que é uma mulher trans, é um exemplo de atuação da legenda em nível nacional”, recordou.

Sobre o cenário nacional, o pré-candidato explicou que o PSOL decidiu não formar uma federação partidária com o PT para preservar sua autonomia. “Isso permite ao partido apoiar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas também votar contra propostas consideradas prejudiciais aos trabalhadores”, exemplificou.

Em respostas rápidas, classificou a escala 6×1 como “retrocesso”, afirmou que Mato Grosso do Sul é seu “estado de coração” e disse que, se eleito governador, fará “o melhor possível”.

Entre as figuras políticas, declarou admiração por Erika Hilton e criticou a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Por fim, incentivou a população a avaliar todas as candidaturas nas próximas eleições e defendeu a ampliação da disputa política no Estado.

Assista a entrevista completa pelo link:

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