Entrevista com o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços, Marcelo Miglioli, no Jornal da Top

A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, iniciou a semana, nesta segunda-feira (30), entrevistando o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos da Capital, Marcelo Miglioli, que abordou o desafio dos buracos na zona urbana e as estratégias para melhorar a mobilidade e a estrutura viária do município.

“Apesar da força-tarefa já ter fechado 76 mil buracos nos dois primeiros meses deste ano, os moradores de Campo Grande ainda convivem com ruas deterioradas e manutenção recorrente. O problema é estrutural e exige uma mudança de estratégia: investir em recapeamento em larga escala”, avisou.

De acordo com ele, a raiz da situação não está, necessariamente, na má execução das obras, mas no envelhecimento da malha asfáltica. “Grande parte do asfalto da cidade tem entre 30 e 40 anos, muito além da vida útil técnica, que é de cerca de 10 anos sem manutenção adequada”, explicou, lembrando que historicamente o município priorizou a abertura de novas vias, deixando em segundo plano a recuperação das já existentes.

A consequência é um ciclo repetitivo: com o desgaste e o período de chuvas, os buracos reaparecem rapidamente, exigindo intervenções constantes nas mesmas ruas. “A expectativa da Prefeitura é ultrapassar 100 mil reparos ainda no primeiro trimestre, mas a medida é considerada paliativa”, revelou.

Como alternativa definitiva, Marcelo Miglioli disse que a Prefeitura lançou o Programa de Recuperação Funcional do Pavimento, estruturado em sete lotes — um para cada região da cidade, sendo que os contratos, já homologados, são contínuos e podem ser prorrogados por até 10 anos.

“A estratégia é começar pelas vias mais críticas, como avenidas de grande fluxo, e avançar gradativamente para os bairros. A meta é reduzir a necessidade de tapa-buracos com o aumento do volume de recapeamento”, disse.

Segundo o secretário, a fase burocrática já foi superada e, agora, o desafio é garantir recursos, porém, a gestão busca financiamento municipal, estadual e federal para viabilizar o programa.

“Com o ajuste fiscal em andamento, a Prefeitura estabeleceu como meta chegar ao fim de outubro com a cidade sem buracos, preparando a malha viária para o período de chuvas”, pontuou.

O diagnóstico apresentado por Marcelo Miglioli aponta problemas estruturais mais amplos. “A cidade possui mais de mil quilômetros de ruas sem pavimentação e drenagem, além de cerca de 70% da malha asfáltica necessitando de recuperação”, destacou.

Outro ponto crítico é a drenagem urbana. “Erros antigos, como pavimentação sem sistemas adequados ou redes subdimensionadas, contribuem para alagamentos frequentes. O entupimento de bueiros por folhas e lixo agrava a situação”, falou.

Entre as intervenções já realizadas, o secretário destacou a bacia de contenção na região do Shopping Campo Grande, que solucionou problemas históricos de enchentes nos últimos dois anos.

“Já obras mais complexas, como a reestruturação da Avenida Rachid Neder e Ernesto Geisel, seguem como desafio. O projeto completo pode chegar a R$ 200 milhões e ainda depende de financiamento”, assegurou.

Novos investimentos

Ele informou que a Prefeitura deve lançar, em abril, um pacote de R$ 243 milhões em obras de pavimentação e drenagem, contemplando mais de 20 bairros, como Noroeste, Los Angeles, Santa Emília e São Conrado. “Os recursos incluem R$ 140 milhões de financiamento municipal e R$ 100 milhões de emendas federais”, revelou.

De acordo com Marcelo Miglioli, o governo estadual também participa com intervenções em regiões como Itamaracá, Itatiaia e Moreninhas. “Além disso, a secretaria prepara uma carteira de projetos executivos estimada em R$ 260 milhões, com foco no planejamento de médio e longo prazo”, adiantou.

Para evitar o aumento do passivo de ruas sem asfalto, uma legislação recente passou a exigir que novos loteamentos sejam entregues com infraestrutura completa, incluindo pavimentação e drenagem.

“Outro problema apontado são os chamados vazios urbanos — áreas privadas sem uso dentro da cidade, que encarecem a expansão e dificultam o planejamento. A nova diretriz busca incentivar o adensamento urbano”, argumentou.

Durante a entrevista, moradores relataram problemas em diferentes regiões. No Rancho Alegre 1, há queixas de falta de manutenção há dois anos, enquanto no Nova Lima, a pavimentação está em fase final, com entrega prevista para meados do ano. Já no Polo Industrial Oeste, a pavimentação ainda depende de recursos, enquanto o bairro Nova Campo Grande deve ser contemplado em novos investimentos.

O secretário também fez um apelo por maior conscientização da população. “A cidade enfrenta mais de 400 pontos de descarte irregular de lixo, o que compromete a drenagem e a conservação urbana. Ainda há falta de manutenção de terrenos e calçadas por parte de proprietários privados e defendeu mudanças na legislação, com multas mais rigorosas. Sem a participação da população, o poder público não consegue manter a cidade em boas condições”, criticou.

Questionado sobre uma possível candidatura ao Senado Federal pelo PP, Marcelo Miglioli disse que a discussão ainda está distante e depende do cenário partidário. “Sou filiado ao PP, que tem como maior liderança a senadora Tereza Cristina, a quem classifico como uma das principais figuras políticas do país. Porém, enquanto isso, o foco permanece na gestão da infraestrutura e na tentativa de reverter um problema que se arrasta há décadas na capital sul-mato-grossense”, finalizou.

Assista a entrevista completa pelo link:

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