Nesta quinta-feira (4), a 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, entrevistou o vereador Maicon Nogueira (PP), que falou sobre os desafios e propostas para melhorar o sistema de saúde pública em Campo Grande. Ele afirma que a saúde é um “incêndio” que precisa ser apagado e, por isso, grande parte de suas fiscalizações e indicações foca na saúde, visitando muitas unidades de saúde.
“Eu tenho uma militância muito forte ligada à qualificação profissional de jovens, com o encaminhamento deles ao mercado de trabalho, fui secretário municipal antes dessa oportunidade do primeiro mandato por alguns anos, mas é a saúde a minha principal bandeira. Não tem condições de você não apagar esse incêndio que é a saúde. Tenho visitado muitas unidades de saúde, pois se trata de uma demanda muito forte da população”, revelou, completando que a área precisa de recurso, investimento e parceria do município com os governos estadual e federal.
Conforme ele, cerca de 70% do investimento em saúde está ligado à folha salarial, mas nem sempre há plantonistas disponíveis quando necessário. “É comum encontrar unidades com, por exemplo, apenas 3 dos 8 médicos escalados trabalhando. Médicos fazem um revezamento que permite que alguns atuem em consultórios particulares durante o horário de plantão público, trabalhando apenas 4 ou 5 horas de uma jornada de 12 horas”, denunciou.
Por isso, Maicon Nogueira defende o pagamento via produtividade, remunerando mais quem trabalha 12 horas completas e implementando ponto eletrônico para pagar apenas as horas trabalhadas. “As trocas de plantão são excessivamente demoradas, resultando em longas filas de espera, pois as pessoas que chegam às 15h só são atendidas pelos plantonistas, que chegam às 19h, mas iniciam os atendimentos às 20h”, reclamou.
O vereador pontuou que, embora a ausência de medicamentos nas unidades de saúde seja um problema grave, a falta de médicos é vista como uma dificuldade central que agrava a situação. “Afeta não apenas os médicos, mas também o corpo administrativo, levando a funcionários sobrecarregados, desvalorizados e com atendimento precário, com pessoas sem a capacitação necessária para um atendimento humanizado”, lamentou.
Para o parlamentar, os desafios na saúde impedem que a cidade foque em projetos de qualificação profissional e outras pautas de médio e longo prazo. “Por isso, tenho abordado desde a fiscalização da saúde e transporte público até iniciativas sociais e culturais, enfatizando a importância da participação cidadã. Defendo a implantação do ponto eletrônico para todos os servidores da saúde, incluindo médicos, que antes estavam isentos por um acordo interno”, revelou, completando que um recadastramento de novos profissionais e a obrigatoriedade do ponto eletrônico começarão em setembro.
Ainda durante a entrevista, Maicon Nogueira tratou da CPI do Ônibus, que foi criada pela Câmara Municipal para investigar a qualidade do serviço do transporte coletivo urbano prestado pelo Consórcio Guaicurus em Campo Grande. “O contrato com esse consórcio tem 20 anos é considerado bom para os empresários, mas ruim para a prefeitura e péssimo para a população. A cidade precisa pagar a diferença ao consórcio se o número de usuários diminuir, desviando recursos de áreas como saúde e habitação”, informou.
Além disso, completou o vereador, Campo Grande tem a frota de ônibus mais antiga do Brasil, com média de 10 anos de uso, ou seja, o dobro do limite contratual de 5 anos. “Foi revelado que, por 13 anos, a empresa operou sem seguro obrigatório, deixando motoristas pagando por acidentes e famílias sem indenização por fatalidades. Após a minha intervenção e a notificação da Agetran, 57 ônibus foram interditados por operarem sem inspeção veicular, um risco à segurança dos passageiros”, alertou.
Para ele, a principal dificuldade para uma nova licitação é a vontade política do gestor municipal, pois a empresa tem direitos legais sobre a exploração do serviço. “Eu defendo que a solução para a mobilidade vai além da troca da frota, exigindo novas vias, a conclusão dos corredores de ônibus (que atualmente mais atrapalham) e semaforização inteligente”, sugeriu.
Assista a entrevista completa pelo link:







