A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, iniciou a semana nesta segunda-feira (15) entrevistando o vereador Marquinhos Trad (PDT), que também é ex-prefeito de Campo Grande. Ele destacou o “caos” generalizado e “colapsos” diários em diversos serviços públicos essenciais, como infraestrutura viária, saúde e transporte público da Capital.
Marquinhos Trad atribuiu os problemas à falta de planejamento, à priorização de interesses políticos sobre a gestão eficiente e à ausência de diálogo por parte da prefeita Adriane Lopes (PP). “A cidade está vivendo um colapso a cada dia, passando de um colapso moral para crises em várias áreas. O não pagamento às empresas de tapa-buracos resultou na deterioração da malha viária”, lembrou.
O parlamentar completou que isso levou a um aumento de acidentes e quedas, sobrecarregando o setor de ortopedia da Santa Casa e resultando em um crescimento de amputações de membros. “Os vereadores, inclusive os da base governista, têm feito requerimentos solicitando tapa-buracos, evidenciando a ciência do problema. O Conselho Regional de Medicina (CRM) também denunciou o colapso na saúde pública”, assegurou.
O vereador destacou que há uma disputa sobre o repasse de verbas, com a prefeita afirmando que paga e o consórcio negando, o que provoca paralisações sindicais. “A prefeita não busca o diálogo, preferindo o embate e a discórdia, contrastando com a minha gestão (2017-2020), que não teve paralisações repetidas”, recordou.
Para Marquinhos Trad, a administração municipal é acusada de não planejar, levando a erros. “Cargos são ocupados por conveniência política e acertos eleitorais, comprometendo a eficácia da gestão em detrimento da cidade. As secretarias de Finanças, de Governo e de Saúde são pontos principais do corpo humano (cabeça, tronco, membros) e a Pasta de Governo, por exemplo, já teve cinco mudanças de secretário”, lamentou.
Ele pontuou ainda que a Secretaria de Finanças é acusada de falar “mentiras”, como a questão do fundo de interesse social. “A prefeita e a vice-prefeita teriam solicitado e recebido um aumento salarial de quase 100%, tornando a prefeita uma das mais bem pagas do país, em contraste com a prática aplicada por mim de apenas conceder reposição inflacionária”, argumentou.
Sobre o papel da Câmara Municipal, o vereador lembrou que a função da Casa de Leis é fiscalizar o Executivo. “Embora muitos vereadores denunciem os problemas, a população questiona o porquê de a prefeita não ser afastada. E a explicação é porque o processo de impeachment é complexo, com ritos legais a serem seguidos e não é uma solução rápida”, avisou.
O parlamentar citou o caso do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (sem partido), afastado pela Câmara Municipal e depois reintegrado pela Justiça, gerando a percepção de injustiça por falta de critérios legais adequados. “A própria eleição da prefeita ainda está sendo discutida na Justiça devido a alegações de compra de votos”, afirmou.
Marquinhos Trad esclareceu que, embora a Câmara Municipal tome medidas, o processo legal para ações como um impeachment é lento e exige devido processo legal, garantindo o direito de defesa. “Um único vereador não tem a capacidade de cassar um prefeito eleito por mais de 220 mil votos, tal poder pertence a um magistrado ou à união da população”, argumentou.
Ele também tratou sobre a acusação feita pela prefeita de que teria orquestrado, em conjunto com a ex-vice-governadora Rose Modesto (União Brasil), uma “confusão” em um evento natalino. “Eu nego essas acusações, afirmando que a prefeita tem sido a verdadeira causadora de um colapso moral e social na cidade”, falou.
O vereador informou que moveu ações judiciais cíveis e criminais contra a prefeita, alegando que ela fez acusações sem provas, “extravasando a raiva acima da razão”, o que pode torná-la ré nos processos. “Um desembargador já determinou a citação e intimação da prefeita para responder às ações”, garantiu.
A respeito da avaliação do desempenho da Câmara Municipal em 2025, o parlamentar descreveu a Casa de Leis como um corpo com pluralidade de pensamentos entre seus 29 vereadores. “A grande maioria dos vereadores apoia a prefeita, enquanto outros, como eu, oferecem posição, mas não oposição. Eu me posiciono como um parlamentar independente, tendo votado projetos a favor da prefeita, mas divergindo da gestão em 80% das votações”, revelou.
Com relação à greve dos motoristas do transporte coletivo urbano de Campo Grande, Marquinhos Trad explicou que a relação trabalhista sobre o pagamento de salários é uma autonomia da empresa e funcionários, enquanto a Justiça pode intervir para determinar o retorno ao trabalho em caso de greve ilegal. “Quero criticar a falta de diálogo e comparar a situação atual com a minha gestão, que assumi após um período de terra arrasada, em que consegui evitar greves em setores importantes, exceto por uma breve ocorrência em 2022”, concluiu.
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