Dizem que o tempo apaga tudo, mas na política, o tempo é um juiz implacável que apenas aguarda o momento do veredito. Em Campo Grande, no verão de fevereiro de 2026 não será lembrado pelo Carnaval ou pelo calor típico, mas por uma votação que deixou uma cicatriz profunda no bolso e na alma do contribuinte.
O que vimos na Câmara Municipal foi um roteiro de terror digno de Hollywood, mas com um título adaptado à nossa realidade: “Eu Sei como Vocês Votaram no Verão de 2026”.
A população se nega a esquecer. E como cientista político, eu afirmo: quem apanha, não esquece jamais. Enquanto as famílias campo-grandenses tentam equilibrar as contas diante de um IPTU extorsivo, os nomes dos parlamentares que deram as costas ao povo agora queimam sob os holofotes da indignação.
O absurdo
A manutenção do veto da prefeita Adriane Lopes (PP) foi uma vitória da conveniência sobre a justiça. Por apenas um voto, o cidadão foi condenado a reajustes surreais. É um assalto oficializado, uma ilegalidade já apontada pelo Ministério Público (MPMS) e por magistrados como o juiz Ariovaldo Nantes Corrêa e o desembargador Alexandre Branco Pucci, que denunciaram a falta de transparência e o atropelo da lei via decreto.
Mas o que mais dói na população não é apenas o valor do boleto; é o silêncio estratégico e a mudança de casaca.
Os personagens
O contraste ético nesta votação foi vergonhoso. De um lado, vimos o exemplo de Rafael Tavares (PL), que mesmo em agenda externa, honrou seu compromisso e votou de forma remota para barrar o aumento. Do outro, o silêncio ensurdecedor de Landmark Rios (PT), que em Brasília, “lavou as mãos” e não registrou seu voto, mergulhando seu partido em uma crise ética sem precedentes.
E o que dizer de Carlão (PSB), Dr. Jamal (MDB) e Leinha (Avante)? Em janeiro, votaram contra o aumento. Em fevereiro, sob o sol forte do verão, “mudaram de lado”. Estenderam o tapete vermelho para a ganância arrecadatória sob a desculpa esfarrapada de que a cidade “não pode parar de arrecadar”. Ora, a cidade não pode parar, mas o povo pode quebrar?
O mapa da indignação
Para que não restem dúvidas, aqui estão aqueles que validaram o “tarifaço” ou se omitiram quando o povo mais precisou:
Votaram CONTRA o Povo:
- Beto Avelar (PP)
- Carlão (PSB) — O mestre da reviravolta.
- Delei Pinheiro (PP)
- Dr. Jamal Salem (MDB) — Mudou de voto.
- Dr. Victor Rocha (PP)
- Leinha (Avante) — Mudou de voto.
- Professor Juari (PSDB)
- Wilson Lands (Avante)
Ajudaram a prefeita pela omissão:
Mesmo com salários de R$ 26 mil, estes parlamentares ignoraram a tecnologia e a urgência do povo:
- Dr. Lívio Leite (União), Fábio Rocha (União), Júnior Coringa (MDB), Landmark Rios (PT), Neto Santos (Republicanos) e Silvio Pitu (PSDB).
A Resistência
14 vereadores mantiveram a palavra e a dignidade, ouvindo o apelo da população. Nomes como André Salineiro (PL), Jean Ferreira (PT) e Maicon Nogueira (PP) — este último que sofreu retaliações diretas com a exoneração de seus indicados — mostraram que ainda há quem não se curve a ameaças.
Compuseram essa frente: André Salineiro (PL), Ana Portela (PL), Clodoilson Pires (Podemos), Flávio Cabo Almi (PSDB), Herculano Borges (Republicanos), Jean Ferreira (PT), Luiza Ribeiro (PT), Maicon Nogueira (PP), Marquinhos Trad (PDT), Professor Riverton (PP), Otávio Trad (PSD), Ronilço Guerreiro (Podemos), Rafael Tavares (PL) e Veterinário Francisco (União Brasil).
A conta eleitoral
Enquanto a prefeita transfere R$ 8 milhões da infraestrutura para o Legislativo, o cidadão desvia de crateras, espera por remédios que não chegam e reza para que o teto do posto de saúde não caia. É uma gestão de contrastes perversos: fartura para o Poder, migalhas e boletos altos para o contribuinte.
Muitos desses vereadores já se assanham como pré-candidatos à Assembleia e à Câmara Federal. Deixo aqui o meu alerta: como vocês pretendem pedir votos nas ruas esburacadas carregando esse boleto extorsivo no bolso do eleitor? A memória da dor é longa.
O “fantasma” do IPTU de 2026 vai assombrar cada palanque, cada carreata e cada aperto de mão. O Judiciário ainda é nossa esperança, mas o veredito final será nas urnas.
Campo Grande apanhou, e quem apanha, meus caros, não esquece!
Por Antonio Ueno (Tony) – Cientista Político






