A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana, nesta sexta-feira (27), entrevistando o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), pré-candidato a governador de Mato Grosso do Sul, que apresentou sua visão política e fez duras críticas à atual gestão estadual, detalhando suas propostas para o Estado e abordando a necessidade de transparência em investigações.
“Estou na fase preliminar da minha pré-campanha eleitoral, focando em uma escuta ativa e qualificada da população para formatar um programa de governo consistente. Ao ouvir a população é possível verificar que ela difere significativamente da propaganda do governo atual na mídia. São muitas reclamações sobre a falta de medicamentos básicos e dificuldades no atendimento, o Ensino Médio está abaixo da média do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e a população se sente insegura, com relatos de pais preocupados com a segurança de seus filhos”, revelou.
Ele disse que o atual governador Eduardo Riedel (PP) foi eleito em 2022 com o apoio do PT para evitar que a extrema-direita radical assumisse o poder, tendo se beneficiado dos 39% dos votos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno em Mato Grosso do Sul. “Apesar de o governo Lula ter atendido todas as demandas estaduais e transferido mais de R$ 60 bilhões em recursos (discricionários, obrigatórios, compensatórios e assistenciais), o governador declarou que apoiará qualquer adversário de Lula em nível nacional”, lamentou.
Para Fábio Trad, essa postura de Riedel é uma imensa ingratidão e falta de consistência ideológica e programática, questionando se o governador apoiaria até mesmo um extremista antidemocrático apenas por ser adversário de Lula. “O governo atual arrocha e aumenta impostos sobre os pobres e a classe média, enquanto isenta bilhões de reais em impostos para os bilionários (R$ 11,95 bilhões previstos para este ano em renúncias fiscais). Essa política leva o Estado a recorrer a empréstimos, ironicamente concedidos pelo governo federal de Lula a quem o governador agora se opõe”, ironizou.
O pré-candidato a governador propõe que os bilionários paguem mais impostos, enquanto os menos favorecidos paguem menos, recuperando a receita para investir em saúde, educação e segurança. “A minha campanha não deve ser ideológica, mas pragmática, questionando se o governo melhorou a vida das pessoas em termos de alimentação, recursos financeiros, atendimento de saúde, educação dos filhos e segurança”, assegurou.
O ex-deputado federal pretende garantir a disponibilidade de medicamentos e agilizar cirurgias eletivas, bem como ofertar escolas melhores equipadas e professores concursados para maior segurança e qualidade pedagógica. “Na segurança pública, quero aumentar a sensação de segurança para a população”, afirmou.
Fábio Trad ainda defendeu que a Fiems deveria ser a maior interessada em esclarecer as suspeitas de superfaturamento nos seus contratos, pois se utiliza de recursos públicos (do “Sistema S”. “Eu apoio a iniciativa do deputado federal Vander Loubet (PT) em pedir acesso às informações e contratos da Fiems. A Federação, para sair da suspeição, deveria tornar públicas suas contas de forma transparente, demonstrando que os recursos foram bem aplicados”, argumentou.
Ele também reforçou que a vaga de vice na sua chapa será da ex-primeira-dama do Estado, Dona Gilda, que foi elogiada por representar a “força da mulher” (mãe, avó, idosa, com mais de 60 anos) e por sua forte ascendência nos movimentos sociais de Mato Grosso do Sul. “Ela tem experiência em liderar grandes programas sociais de combate à pobreza durante o governo do Zeca do PT”, recordou.
Sobre as alianças partidárias, o pré-candidato disse que o PT já formou uma federação com o PV e com o PCdoB, mas há uma alta possibilidade de inclusão do PSB e do PDT. Com relação ao irmão dele, o senador Nelsinho Trad (PSD), sugeriu que, por coerência, ele deveria alinhar-se ao campo progressista-democrático, dadas as suas últimas votações no Senado, que acompanharam o governo Lula.
“Apesar do Nelsinho ter optado por caminhar com o ex-governador Reinaldo Azambuja (PT), o espaço no nosso campo partidário está aberto para agregar a experiência administrativa dele, desde que defenda a reeleição do presidente Lula”, avisou.
A respeito de a maioria dos eleitores do Estado se declarar de direita, Fábio Trad disse que discorda dessa percepção. “O sul-mato-grossense é um conservador nos costumes, sendo que 60% da população com renda de R$ 2.500 a R$ 2.600 é beneficiária direta dos programas assistenciais de Lula e os apoia, portanto, não são dados de pessoas de direita”, ressaltou.
No entanto, o ex-deputado federal reconheceu que a polarização ideológica da campanha presidencial de 2022 influenciou o Estado, contudo, sua expectativa é que a campanha estadual de 2026 se foque nos serviços públicos (saúde, educação, segurança) e na melhoria da vida do cidadão, fazendo uma “barreira de proteção” contra a polarização nacional.
“Na campanha, vou questionar se a vida dos cidadãos melhorou na saúde, educação e segurança sob o atual governo estadual (desde 2015), atribuindo problemas nesses setores à gestão local, enquanto vou creditar melhorias financeiras e de moradia aos programas do governo Lula. A maioria da população não busca debates por likes ou visualizações nas redes sociais, uma mãe solo, por exemplo, tem como preocupações diárias o transporte, a creche, a escola, a saúde, o salário digno e não o que candidato a ou b postou no seu Instagram”, comparou.
Para concluir, o pré-candidato a governador afirmou que, na campanha eleitoral, vai defender que seu plano de governo focará em “cuidar das pessoas”, “humanizar o governo” e “se aproximar dos necessitados”, abordando os “bolsões de miséria” que existem além das áreas mais abastadas de Campo Grande e das cidades do interior.
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