Em uma entrevista vibrante ao Jornal da Top, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, a bacharel em Direito, pós-graduada em Ciências Políticas e presidente estadual das mulheres do Democracia Cristã, Mara Cardi, abriu o coração e trouxe à tona debates profundos sobre a realidade social e política de Mato Grosso do Sul. Com um discurso firme, desprovido de “mimimi” e pautado na vivência real das ruas, a pré-candidata a deputada federal enfatizou que a transformação social só acontece por meio de políticas públicas sérias e bem financiadas.
Uma Trajetória de Superação, Informação e Esporte
Filha de uma mãe solo que enfrentou jornadas exaustivas de trabalho para garantir o sustento de quatro filhos, Mara Cardi carrega em sua história a marca da realidade enfrentada pela periferia. Essa bagagem pessoal a impulsionou para o Direito, para a Ciência Política e, mais recentemente, para uma forte atuação digital e comunitária.
Há dois anos, Mara criou do zero a página Justiça Delas MS no Instagram. Longe de ser apenas um espaço de entretenimento, o canal foca na produção de informação direcionada ao combate à violência doméstica e ao feminicídio, oferecendo caminhos práticos para acolhimento de vítimas (como direcionamento para a Casa da Mulher Brasileira, ligar 180 ou 190). Hoje, a página é um fenômeno regional, registrando mais de 2,7 milhões de visualizações em apenas 30 dias.
Além de sua militância e carreira jurídica, Mara revelou um lado dinâmico e popular: trabalhou por 12 anos nos bastidores com empresários de futebol de base em São Paulo e é jogadora de futebol veterana. Atualmente, ela lidera um projeto para a criação de um time de futebol feminino na capital, buscando usar o esporte — historicamente dominado por homens — como ferramenta de conscientização e parceria no debate pelo fim da violência de gênero.
Pontos Principais da Entrevista
- Falta de Investimento Financeiro: Indagada sobre o alarmante crescimento dos índices de violência doméstica em Mato Grosso do Sul, Mara foi categórica. Segundo ela, leis e secretarias só funcionam na prática se houver recursos financeiros reais destinados a elas. Sem dinheiro, os projetos morrem no papel.
- Educação Base como Solução: Para Mara Cardi, o verdadeiro “coração” do enfrentamento à violência começa nas escolas, desde a creche. Como mãe de dois meninos, ela reforça a urgência de educar as crianças para o respeito mútuo, prevenindo que pequenos atos agressivos na infância evoluam para perfis abusivos na fase adulta.
- Fim da Escala 6×1 e a Dupla Jornada: Ao comentar a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1, Mara defendeu a pauta como primordial para a saúde mental humana. Ela trouxe o exemplo de sua própria mãe e destacou o fardo das mulheres da periferia que, após cumprirem longas jornadas no emprego, assumem sozinhas o cuidado dos filhos, a alimentação e a limpeza da casa, enquanto a maioria dos homens desfruta de descanso imediato ao chegar do trabalho.
- Por que a Mulher não Vota em Mulher? Com resposta rápida, a entrevistada expôs as falhas do sistema partidário. Mara explicou que as mulheres mais politizadas e que ocupam cargos de destaque frequentemente são funcionárias ou assessoras de lideranças masculinas — já que os homens ocupam quase a totalidade das vagas legislativas. Isso cria uma dependência de cargos que fragmenta o apoio mútuo feminino nas urnas.
- Apelo ao Voto Masculino: Mara surpreendeu ao fazer um chamado direto aos pais de família e trabalhadores homens: “Homem, vote em mulheres”. Ela argumentou que as mulheres legislam pensando no cotidiano e na proteção familiar (vagas em creches, postos de saúde funcionais e segurança pública para que suas filhas andem nas ruas sem o medo de serem molestadas), gerando um ciclo de cuidado que beneficia toda a sociedade.
Mara Cardi encerrou a entrevista reafirmando sua conexão com o povo, sua fé e sua paixão por pessoas, deixando claro que está pronta para representar Mato Grosso do Sul na Câmara Federal com a coragem de quem conhece a realidade de perto.









