O Dilema de Simone Tebet e o futuro do MDB em 2026

Foto IA

A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), está no centro de um complexo xadrez político que definirá não apenas seu futuro, mas também o posicionamento e a dinâmica eleitoral do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), especialmente em Mato Grosso do Sul (MS).

As discussões sobre uma possível candidatura ao Senado por São Paulo (SP) em 2026 ou o retorno à disputa em MS, com o consequente alinhamento com o Governo Lula, criaram uma crise de identidade e coesão dentro da sigla.

São Paulo

A possibilidade, ventilada pelo PT, de lançar Tebet como candidata ao Senado por São Paulo é vista com simpatia pela ministra e por estrategistas do Governo Federal.

Interesse do PT: O partido busca um “palanque forte” no maior colégio eleitoral do país, onde a direita (com ou sem Tarcísio de Freitas na reeleição) é considerada favorita. A inclusão de Tebet em uma chapa com Haddad, Alckmin ou Márcio França formaria um “trio competitivo” visando o Palácio dos Bandeirantes e as duas vagas senatoriais.

Aposta no Senado: Tebet, acredita que a “batalha” decisiva será pelo Senado, onde o governo federal não possui uma maioria confortável.

Conexão Pessoal: A mudança para SP é facilitada por fortes laços pessoais (filhas residentes na capital e propriedades no litoral), o que pode ajudar no “enraizamento” de uma campanha em novo território.

Potencial Eleitoral: A avaliação do PT é que seu potencial será medido via pesquisa, mas o desempenho de Tebet em 2022 (4,8 milhões de votos e 4,21% no total nacional) sugere uma reserva de votos capaz de agregar a uma chapa lulista em um estado polarizado.

O Drama do MDB em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, a atuação de Tebet como ministra de Lula e a indefinição de seu futuro eleitoral criaram um racha profundo, ameaçando a unidade histórica do MDB local.

Rompimento com a Base: Líderes como o ex-governador André Puccinelli, a maior liderança emedebista no estado, foram categóricos: se Tebet quiser apoiar Lula em 2026, “que mude de partido”.

Alinhamento Oposicionista: Deputados (como Júnior Mochi e Renato Câmara) e o diretório estadual (com o presidente Waldemir Moka) sinalizam para uma federação com PSDB e Republicanos, ambos na oposição federal. A meta é apoiar a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP), deixando o MDB em uma “saia justa” com a Nacional do partido, que cogita a ministra no Senado por MS.

Ameaças de Saída: A divergência é tão grande que filiados históricos, como o deputado Júnior Mochi, com 44 anos de sigla, não descartam deixar o MDB caso Tebet concorra por MS alinhada a Lula. A base local insiste na necessidade de um “palco independente” onde ela pudesse apoiar Lula e Riedel, mas o arranjo é complexo.

Apoios Isolados: Na contramão, o presidente municipal, Jamal Salém, garante apoio incondicional a Simone, reforçando o caráter de lealdade pessoal sobre a política partidária.

Reunião Decisiva: As bases do MDB/MS demandam uma “reunião urgente” para definir o futuro da sigla. Esse encontro, cuja data segue indefinida, é crucial para buscar uma posição unificada e evitar a debandada e o enfraquecimento da sigla.

“Vou, Não Vou”

Publicamente, Simone Tebet mantém uma postura cautelosa, afirmando que só tratará de eleições “um ano antes do pleito” e que está pronta para cumprir o mandato ministerial até dezembro de 2026, se necessário.

Apesar de ter garantido em junho que “não disputaria por outro estado”, o convite paulista a fez “repensar a frase”. Por enquanto, ela e seu marido, Eduardo Rocha, garantem a permanência no MDB, aguardando a definição das federações partidárias, o que sugere uma decisão estratégica a ser tomada após o tabuleiro nacional se estabilizar.

Conclusão

O futuro político de Simone Tebet resume o dilema histórico do MDB: um partido de grande capilaridade e relevância histórica (nascido da luta pela democracia em MS e no país), mas frequentemente dividido entre o alinhamento nacional e os interesses regionais.

A ministra tem três caminhos:

1º – Senado por São Paulo (PT): Alinhamento total com Lula, enfraquecendo o MDB/MS, mas ganhando projeção nacional e um papel central na base governista no Congresso.

2º – Senado por Mato Grosso do Sul (MDB): Enfrentar a oposição interna do MDB/MS, forçando-o a um racha ou a aceitar um palanque duplo (Lula/Riedel), de difícil articulação.

3º – Manutenção no Ministério: Seguir como ministra, adiando a decisão e mantendo a influência no governo, mas deixando o MDB/MS em suspense e corroendo sua base no estado. A indefinição de Tebet está paralisando as discussões do MDB em MS, um partido que sempre foi um dos pilares da política local. A “saia justa” não é apenas da ministra, mas de toda a legenda, que precisa decidir se prioriza o projeto nacional (aliado a Lula) ou o projeto regioanal.

Por Antonio Ueno – Cientista Político

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