Campo Grande, janeiro de 2026 – O ano novo começou com um gosto amargo para o bolso do campo-grandense. O que deveria ser uma correção inflacionária de 5,32%, como anunciado pela gestão de Adriane Lopes (PP), transformou-se em um verdadeiro “confisco” institucional. Relatos de contribuintes apontam aumentos que chegam a surreais 396%, gerando uma onda de indignação que já desaguou na Justiça.
Aumento disfarçado e falta de transparência
O advogado Oswaldo Meza Baptista protocolou uma ação popular com pedido de urgência para suspender o reajuste. A tese é clara: a Prefeitura utilizou a Lei Complementar 548/2025 para alterar a base de cálculo dos imóveis de forma arbitrária.
Na prática, o município ignorou a promessa de apenas corrigir a inflação e promoveu um aumento real disfarçado de “atualização cadastral”. Imóveis que não receberam um metro de asfalto ou qualquer benfeitoria pública nos últimos anos viram seus valores venais dispararem sem critério técnico aparente.
O apagão digital
Para piorar o cenário de desrespeito ao cidadão, o sistema eletrônico da Prefeitura saiu do ar justamente quando os carnês começaram a chegar.
- O impedimento: Sem o site, o contribuinte não consegue consultar o histórico do imóvel, os critérios da nova base de cálculo, nem contestar os valores.
- O relógio corre: O desconto para pagamento à vista, que a prefeita reduziu de 20% para apenas 10%, vence no dia 12 de janeiro. Com o site fora do ar até o dia 5, a população perde dias valiosos para tentar garantir o abatimento mínimo.
Enquanto isso, a Secretária de Fazenda, Márcia Helena Hokama, segue em licença médica — embora tenha sido flagrada em plena maratona em Bonito durante seu afastamento, um detalhe que aumenta a sensação de abandono da gestão.
Taxa de lixo
Não bastasse o IPTU, a Taxa de Lixo também sofreu uma “revisão silenciosa”. Baseada em um novo Perfil Socioeconômico do Imóvel (PSEI), a taxa atingiu cerca de 250 mil inscrições com valores elevados. O auditor Inácio admite que o sistema agora leva em conta até a “renda média estimada” da região, transformando um serviço público em uma cobrança punitiva para quem vive em bairros que conquistaram infraestrutura mínima.
Câmara Municipal “Lava as Mãos”
Pressionada, a Câmara Municipal, através do presidente Vereador Papy (PSDB), emitiu nota oficial afirmando que “não participou da discussão” e que nenhuma proposta de alteração da base de cálculo passou pela Casa de Leis.
“Exigimos explicações detalhadas sobre a metodologia. É nosso dever fiscalizar os fundamentos impostos à população sem debate”, diz a nota de Papy.
Apesar da fala dura, a população questiona a passividade do Legislativo. Enquanto os vereadores prometem “estudar o caso” e “enviar ofícios”, o boleto já está na mesa do trabalhador, e a data do desconto se aproxima sem uma solução concreta que suspenda o reajuste ilegal.
OS NÚMEROS DO ABSURDO:
- Aumento relatado de até 396%
- Promessa da Prefeita 5,32% (inflação)
- Redução do desconto de 20% para 10%
- Imóveis Afetados pela Taxa de Lixo 250.000 inscrições
- Valor da taxa de lixo (alto padrão) r$ 12,60 por m²
A pergunta que fica para Adriane Lopes é: como justificar um aumento de 396% em uma cidade que sofre com buracos em cada esquina, falta de médicos nos postos e colapso na saúde pública? O contribuinte exige transparência, e não um site fora do ar como resposta.






