CAMPO GRANDE, MS – O cenário da saúde pública na Capital sul-mato-grossense deixou de ser uma crise para se tornar um campo de batalha jurídico e social. De um lado, a Santa Casa, maior hospital do estado, exige um aporte emergencial para não fechar as portas; do outro, a Prefeitura tenta equilibrar as contas enquanto sustenta a promessa de um hospital próprio que, até o fim de 2025, permanece travado na burocracia. No meio desse fogo cruzado: o trabalhador sem salário e o paciente morrendo nos corredores das UPAs.
1. A queda de braço dos R$ 45 milhões
A Associação Beneficente de Campo Grande (Santa Casa) foi à 2ª Vara de Fazenda Pública com um pedido desesperado: quer elevar o repasse mensal de R$ 32,7 milhões para R$ 45,9 milhões. O hospital alega que o contrato está defasado há dois anos e que a instituição absorve mais de 55% da demanda hospitalar da cidade.
A defesa da Santa Casa é enfática: sem o reajuste, o colapso é inevitável. Atualmente, a dívida da instituição é “estratosférica”, somando R$ 117,3 milhões, incluindo calotes em fornecedores e médicos (PJ), que já cobram R$ 35 milhões judicialmente.
2. Natal sem ceia e suspeita de lockout
O clima pesou nesta segunda-feira (22). Enfermeiros e administrativos iniciaram uma greve no saguão do hospital após a proposta vergonhosa de parcelar o 13º salário em três vezes, com a última parcela prevista apenas para março de 2026.
“Isso é uma vergonha com o trabalhador”, desabafou uma funcionária sob anonimato.
A polêmica ganhou um novo capítulo com a denúncia do SinMed-MS. O sindicato acusa a Santa Casa de tentativa de lockout — prática ilegal onde o patrão incita a greve para pressionar o poder público. Documentos sugerem que a gestão do hospital teria enviado ofícios “sugerindo” a paralisação antes mesmo da assembleia da categoria.
3. O Hospital de Adriane Lopes
Para tentar aliviar a dependência da Santa Casa, a prefeita Adriane Lopes aposta todas as fichas no Hospital Municipal de Campo Grande (HMCG). Porém, o projeto de R$ 210 milhões, prometido para desafogar o SUS, enfrenta um caminho tortuoso de incompetência e judicialização:
- Licitação Travada: Até o final de 2025, nenhuma empresa foi contratada.
- Imbróglio Jurídico: Vereadores questionam a legalidade do endividamento público de R$ 268 milhões para a obra.
- Realidade Paralela: Enquanto a prefeitura fala em “modernidade e 259 leitos” no Chácara Cachoeira, os anestesiologistas da Santa Casa param por falta de pagamento e as cirurgias eletivas são suspensas por falta de gaze e soro.
4. UPAs: o purgatório da Capital
A falência do sistema hospitalar reflete diretamente nas UPAs. Unidades como Coronel Antonino, Universitário e Moreninha operam com quatro vezes a capacidade habitual. Pacientes com quadros graves, que deveriam ser transferidos em horas, mofam em macas nos corredores por mais de 7 dias.
Dados da Sesau indicam uma fila de espera de 141 mil pessoas por consultas e exames. O Ministério Público (MPMS) já instaurou inquérito para investigar por que exames laboratoriais essenciais sumiram da rede pública, apesar das verbas federais destinadas ao município.
5 Eficiência de discurso, caos de realidade
A Prefeitura afirma estar em dia com os repasses e cita aportes extras de R$ 1 milhão mensal. Contudo, para quem espera por uma cirurgia ou para o enfermeiro que não sabe como pagará as contas de janeiro, a “eficiência administrativa” celebrada nos vídeos de redes sociais da prefeita não atravessa o portão dos hospitais.
O Raio-X do desastre

A pergunta do cidadão de Campo Grande é: cadê o Hospital Municipal prometido pela prefeita Adriane Lopes?
6 Promessas de Adriane Lopes
Internações: 1,5 mil ao mês;
- Cirurgias: mil procedimento ao mês;
- Pronto atendimento: 2,5 mil atendimentos ao mês;
- Consultas médicas: 13,5 mil consultas ao mês;
- Exames de imagem: 13,5 mil exames ao mês.





Maiores problemas de Campo Grande
O Instituto Ranking Brasil Inteligência perguntou aos entrevistados quais são os maiores problemas de Campo Grande e 36% disseram que é saúde pública, a falta de médicos e falta de atendimentos, enquanto 28% disseram que é a falta de remédios e de um hospital municipal.
Além disso, 22% falaram que é a greve do transporte coletivo urbano, 17,16% que é a falta de um transporte coletivo urbano melhor, e 15,40% que a falta de uma prefeita e secretários municipais melhores.
Já 13,8% disseram que é a corrupção e o desvio de dinheiro, 12% falaram que são os buracos nas ruas e os alagamentos das vias, 10,2% que são a inflação e custo de vida, e 9,4% que é a falta de administração municipal.
Outros 8,6% reclamaram da falta de ajuda do governo estadual, 7% disseram que é o aumento dos impostos (IPTU, ISSQN e ICMS), 6,8% que é a falta de limpeza da cidade e 5,4% é a falta de a prefeita aceitar a ajuda do presidente Lula.
Depois, 5,2% falaram que é a falta de manutenções dos parques, 4,6% que é a falta de conclusão das obras paradas, 4,4% que é a falta da Cidade do Natal e 4,2% que é o abandono da cidade.
Mais atrás, 4% disseram que é a violência contra as mulheres, 3,84% que é a falta de policiamento, 3,6% que é o excesso de drogados nas ruas e 3,2% que é a falta de moradias populares.
Por último, 3% falaram que é a falta de sinalização e semáforos nas ruas da cidade e 2,6% citaram outros problemas, sendo que 4,2% não sabem ou não responderam.







