Campo Grande, 5 de janeiro de 2026 – O ano começou com um “presente” amargo para o bolso do contribuinte campo-grandense. O lançamento do IPTU 2026 deflagrou uma crise política e social na Capital, marcada por uma gritante disparidade entre o discurso oficial da Prefeitura e a realidade impressa nos carnês. No centro da polêmica, o silêncio da prefeita Adriane Lopes (PP) ecoa como combustível para as manifestações de vereadores, da OAB e de entidades civis.
A conta que não fecha: 5,32% ou 396%?
Oficialmente, a Prefeitura de Campo Grande divulgou que o reajuste do imposto seria limitado a 5,32%, referente à correção inflacionária pelo IPCA. No entanto, o que se vê nas redes sociais e nos balcões de atendimento é um cenário diferente.
Levantamentos realizados por moradores e advogados indicam que imóveis sem qualquer reforma ou melhoria no entorno receberam cobranças com aumentos de 30%, 50% e até 396%. A justificativa técnica da prefeitura recai sobre a atualização da Planta Genérica de Valores (PGV), mas a falta de transparência sobre os critérios individuais de cada imóvel é o principal ponto de ataque da oposição.
“Identificamos que possa haver uma cobrança excessiva. O IPCA de 5,32% está na lei, mas temos boletos com mais de 300% de aumento”, afirmou o vereador Rafael Tavares (PL), que preside a comissão especial criada para investigar as irregularidades.
O contraste: Aumento para o povo, aumento para a Prefeita
Enquanto a população busca formas de contestar os valores, um dado torna o cenário ainda mais sensível politicamente: o reajuste no salário da própria prefeita.
Em dezembro de 2024, a Câmara Municipal aprovou um aumento escalonado para o subsídio da chefia do Executivo. De acordo com o texto aprovado na época, o salário da prefeita, que era de aproximadamente R$ 21,2 mil, passou por correções que o elevam para a casa dos R$ 35 mil em 2025/2026, buscando a equiparação com o teto dos ministros do STF e desembargadores.
Para o contribuinte médio, a percepção é de uma “mão dupla” injusta: o Executivo exige sacrifício da população através de uma PGV agressiva, enquanto garante a valorização dos próprios vencimentos.
Câmara em Alerta
Nesta segunda-feira (5), a Câmara Municipal interrompeu o recesso parlamentar para uma reunião de urgência. O objetivo é claro: suspender as cobranças que extrapolem o IPCA e exigir uma revisão imediata dos lançamentos.
A ausência da Secretária Municipal de Administração nas discussões e o silêncio direto de Adriane Lopes têm sido interpretados como uma tentativa de evitar o desgaste político em um momento de alta sensibilidade. Enquanto isso, o Secretário de Governo, Ulisses Rocha, tenta conter a pressão parlamentar, mas sem apresentar soluções concretas para o recálculo dos carnês.
O que diz o setor jurídico
O advogado Hugo Conforte, que representa grupos de moradores, destaca que a atualização da PGV não pode ser feita de forma arbitrária ou “confiscatória”. A judicialização em massa do IPTU 2026 parece ser o caminho inevitável caso a prefeitura não recue na aplicação dos índices abusivos.
Aumento disfarçado
O advogado Oswaldo Meza Baptista protocolou uma ação popular com pedido de urgência para suspender o reajuste. A tese é clara: a Prefeitura utilizou a Lei Complementar 548/2025 para alterar a base de cálculo dos imóveis de forma arbitrária.
Na prática, o município ignorou a promessa de apenas corrigir a inflação e promoveu um aumento real disfarçado de “atualização cadastral”. Imóveis que não receberam um metro de asfalto ou qualquer benfeitoria pública nos últimos anos viram seus valores venais dispararem sem critério técnico aparente.
Serviço
Se você não concorda com o valor do carnê, tem o direito de protocolar uma contestação administrativa até 10 de março de 2026.
Documentos necessários
- Requerimento preenchido (disponível no site do IPTU);
- Documentação do imóvel e documentos pessoais;
- Termo de adesão ao domicílio eletrônico.
Onde protocolar:
- WhatsApp: (67) 3314-3487
- Presencial: Central de Atendimento ao Cidadão (Rua Marechal Rondon, 2655, 4º andar, sala 7), das 8h às 16h.





