A política, como o xadrez, é feita de movimentos calculados e ocupação estratégica de espaços. A provável mudança de domicílio eleitoral da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), de Mato Grosso do Sul para São Paulo, é mais do que uma troca de CEP; é um movimento tectônico que reorganiza as forças em dois dos estados mais estratégicos do país.
O fator Nelsinho Trad
Em terras pantaneiras, a ausência de Simone Tebet nas primeiras sondagens para o Senado trouxe um misto de alívio e oportunidade para os pré-candidatos. A grande pergunta nos bastidores era: para onde migrariam os votos da ministra?
Segundo análise de Antonio Ueno (Tony), cientista político e diretor do grupo Ranking Brasil Inteligência, o perfil do eleitorado aponta para o senador Nelsinho Trad (PSD) como o principal herdeiro desse capital político. Os motivos são estruturais:
- Identidade de Centro: Ambos disputam o eleitor moderado. Nelsinho, assim como Simone, transita com habilidade entre diferentes setores, do diálogo com o Governo Federal à direita moderada.
- Capilaridade Política: Com o histórico de ter sido prefeito de Campo Grande por duas vezes, além de deputado e vereador, Nelsinho possui baixa rejeição e alto poder de articulação nas bases municipais.
- Entregas e Prestígio: Presidindo a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) — uma das mais influentes do Senado — e destacando-se como o parlamentar que mais viabilizou recursos para o agronegócio e infraestrutura sul-mato-grossense, Nelsinho se posiciona como o sucessor natural desse espólio.
Para o MDB local, a saída de Simone também resolve um dilema pragmático. A proximidade da ministra com o presidente Lula gera desconforto em uma base estadual majoritariamente conservadora. Sem ela na chapa, o partido tenta estancar a debandada de lideranças que temem a associação direta com o PT.
A aposta de Lula
Se em Mato Grosso do Sul a saída de Simone abre espaço para Trad, em São Paulo sua chegada visa fechar o cerco contra o bolsonarismo. O presidente Lula enxerga em Tebet a peça que falta para consolidar um palanque de centro-esquerda forte no estado, seja como candidata ao Governo ou ao Senado.
Conclusão
A migração de Simone Tebet para São Paulo desenha-se como o maior “ganha-ganha” da temporada. Nelsinho Trad surge como o grande beneficiado imediato no Mato Grosso do Sul, consolidando sua liderança e favoritismo à reeleição.
Já Simone Tebet joga todas as suas fichas na escala nacional, tentando provar que sua popularidade pode ser convertida em votos no coração financeiro do Brasil. O veredito final virá das conversas com Lula antes do Carnaval, que definirão se este movimento será o xeque-mate da ministra ou uma aposta audaciosa demais.
Metodologia
Pesquisa com metodologia quantitativa, com a realização de entrevistas pessoais e pelo sistema CAT, utilizando questionário estruturado junto a uma amostra representativa do eleitorado do Estado. Os entrevistados foram selecionados aleatoriamente, respeitando-se as cotas.
Pesquisa registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com os números; BR-06854/2026 e MS-06417/2026, o Instituto Ranking Brasil Inteligência realizou, no período de 1º a 6 de fevereiro deste ano, junto a 2.000 moradores com 16 anos ou mais de idade, em 30 municípios de Mato Grosso do Sul, com intervalo de confiança de 95% e margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos.









