A política, em sua essência, deveria ser o exercício do diálogo em favor do bem comum. No entanto, o que se vê em Campo Grande, sob a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP), é um espetáculo de isolamento que desafia a lógica administrativa e, ironicamente, os próprios princípios cristãos que a mandatária afirma carregar como bandeira.
Ao optar por não comparecer à recepção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no aeroporto da Capital, Adriane não apenas sinalizou sua posição ideológica bolsonarista; ela virou as costas para a autoridade institucional que detém as chaves dos cofres que sustentam a sobrevivência da “Cidade Morena”.
A Fé esquecida
Para uma gestora que se diz cristã, a ausência no tapete vermelho da autoridade máxima da nação soa como uma heresia administrativa. A Bíblia, no livro de Romanos, é clara: “Toda autoridade é instituída por Deus”. O apóstolo Paulo não sugere, ele ordena a submissão e a honra àqueles que ocupam cargos de liderança, não por concordância política, mas por questão de consciência e ordem social.
Ao ignorar o presidente, a prefeita ignora o ensinamento de Jesus sobre o respeito às hierarquias. Onde está a humildade cristã quando o orgulho partidário impede o aperto de mão que poderia acelerar obras e salvar vidas?
Adriane Lopes insiste em ignorar
É impossível falar de Campo Grande sem falar dos recursos federais. Historicamente, desde a gestão de Dilma Rousseff — que muitos aliados do antigo MDB chamavam de “fada madrinha” pelos investimentos pesados na era de André Puccinelli e Nelsinho Trad — o Governo Federal tem sido o motor da capital.
Os números atuais são avassaladores e tornam o “ódio” político ainda mais incompreensível:
- Habitação: Enquanto a gestão federal financiou mais de R$ 1,1 bilhão em moradias pelo FGTS em 2024, a fila da casa própria na capital ainda é uma ferida aberta.
- Infraestrutura: O Novo PAC destinou R$ 44,7 bilhões para o Mato Grosso do Sul. Campo Grande é beneficiada diretamente com escolas em tempo integral, UBSs e a urbanização de favelas.
- Saúde: Investimentos do SUS.
Como se justifica odiar um governo que, apenas em repasses diretos (Bolsa Família, BPC e Seguro-Desemprego), injetou mais de R$ 3,2 bilhões na economia local em 2024? Esse dinheiro é o que mantém o comércio do Centro e dos bairros vivo.
O escândalo das ambulâncias
Talvez o ponto mais “duro” dessa desconexão seja o caso das ambulâncias do SAMU. Em 2024 e 2025, o Governo Federal enviou cerca de 13 novas viaturas para renovar a frota. O que a população viu, porém, foi o Ministério Público Estadual (MPE-MS) abrindo inquérito para descobrir por que seis dessas viaturas ficaram apodrecendo no pátio enquanto a prefeitura gastava até R$ 15 mil mensais por unidade alugada.
A desculpa da “burocracia” não convence quem espera horas por um socorro que não chega. O contraste é ético: prefere-se o custo do aluguel à eficiência do recurso federal já disponível. É a política do “quanto pior, melhor” aplicada na veia da saúde pública.
A lição de Eduardo Riedel
Enquanto Adriane Lopes se esconde atrás de convicções partidárias, o governador Eduardo Riedel — também de centro-direita e apoiador de Bolsonaro no passado — dá uma aula de estadismo. Riedel recebeu Lula com as honras devidas, ofereceu peixe, discutiu a integração com a Bolívia e a COP15.
Riedel entendeu que a eleição acabou em 2022. Adriane, ao que parece, ainda vive no palanque. O governador busca o fim da polarização para trazer obras; a prefeita mantém a polarização, mesmo que isso custe o atraso da rotatória da Rachid Neder ou a modernização das UBSs.
O Preço do orgulho
Campo Grande vive momentos difíceis. A saúde está sob auditoria, as finanças sob pressão e a infraestrutura urbana clama por socorro. Em março de 2026, com a cidade sob os holofotes da COP15, a postura da prefeita revela uma carência de carisma institucional e uma perigosa miopia política.
Odiar pode até render curtidas em bolhas de redes sociais, mas a humildade de governar com quem detém o recurso é o que traz o asfalto, o médico e a moradia. Ao renegar o diálogo com o Governo Federal, Adriane Lopes não pune Lula; ela pune o cidadão campo-grandense que paga seus impostos e espera que a fé da sua gestora se traduza em obras, e não em omissão.
A frase
“Eu decidi ficar com o amor. O ódio é um fardo muito grande para se carregar”. Martin Luther King Jr.
Por Antonio Ueno, Cientista Político





