Retrospectiva 2025: Campo Grande em ruinas

A insatisfação com a gestão municipal é grande
Reprodução IA

Campo Grande, MS: O ano de 2025 chega ao fim deixando um gosto amargo para o campo-grandense. Se por um lado os indicadores oficiais e o marketing institucional tentam pintar o cenário de uma capital modelo, o cotidiano de quem depende do serviço público revela uma “cidade queijeira”, marcada pelo descaso e por escândalos que agora batem à porta do Paço Municipal.

O ciclo da lama e do buraco

Conhecida como a Cidade dos buracos, a infraestrutura do município permanece em xeque. O problema não é apenas o asfalto:

  • Drenagem Inexistente: Em bairros como Nova Campo Grande e Vila Nasser, a chuva não é apenas um fenômeno climático, mas um isolador social. O “ciclo da lama” destrói veículos, invade casas e expõe a ausência histórica de galerias de águas pluviais.

Transporte Coletivo

Uma paralisação durou quatro dias (de 15 a 18 de dezembro) e foi motivada pelo atraso no pagamento de salários, vales e do 13º salário dos motoristas. O serviço foi normalizado após:

  • O Governo do Estado antecipar um repasse de R$ 3,3 milhões.
  • A Justiça determinar uma intervenção no contrato do Consórcio Guaicurus para garantir a normalização dos serviços.
  • Para 22% dos campo-grandenses, a greve e a má qualidade do transporte são gargalos urgentes. Com uma das tarifas mais caras do país, a frota sucateada — apelidada de “lata de sardinha” — revolta 85% dos usuários, que classificam o serviço como ruim ou péssimo.

Educação: Promessas que não viraram vagas

A promessa de zerar a fila das EMEIs (antigos CEINFs) até 2026 parece cada vez mais distante. O déficit de vagas permanece na casa dos milhares, e o ritmo lento das obras deixa mães e pais sem alternativa para o cuidado dos filhos.

Na outra ponta da assistência social, o abandono é visível. O entorno da antiga rodoviária e o bairro Amambaí tornaram-se o epicentro de uma crise de saúde pública e segurança, com o aumento do número de dependentes químicos vivendo em situação de rua sem uma política de acolhimento eficaz por parte da gestão municipal.

Saúde: Entre a falta de dipirona e a ameaça de intervenção

A saúde pública é apontada pela população como o problema número um. Segundo dados do Instituto Ranking Brasil Inteligência36% dos entrevistados sofrem com a falta de médicos e atendimento, enquanto 28% clamam por medicamentos básicos e pela construção de um hospital municipal.

O cenário em 2025 foi crítico:

  • Prateleiras Vazias: Mais de 50 tipos de medicamentos (incluindo psicotrópicos e insumos de uso diário) estiveram em falta simultaneamente.
  • Colapso nas UPAs: O Ministério Público estadual chegou a ventilar uma intervenção no setor diante da superlotação crônica e de pacientes aguardando dias por uma vaga de internação, muitas vezes sem o suporte medicamentoso necessário.

O escândalo da COSIP

O ponto de inflexão política no ano foi o estouro da Operação Apagar das Luzes, deflagrada pelo Gaeco e Gecoc. As investigações miram um rombo estimado em R$ 62 milhões na COSIP (Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública).

O esquema de superfaturamento e desvios nas taxas de iluminação pública não apenas sangrou os cofres da prefeitura, mas explicou por que, apesar da arrecadação em dia, diversas regiões da cidade permaneceram às escuras. O envolvimento de empresas que monopolizam a manutenção nas sete regiões da capital levanta um alerta sobre a lisura das concessões públicas.

O que diz a população

A insatisfação com a gestão municipal é multifacetada. Quando questionados sobre os maiores problemas, as respostas formam um mosaico de carências:

O ano de 2025 termina com o campo-grandense exigindo menos marketing e mais gestão. Entre impostos altos (citados por 7% da população) e a sensação de abandono (4,2%), o desafio para 2026 será reconstruir não apenas o asfalto, mas a confiança do cidadão em suas instituições.

Maiores problemas de Campo Grande

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