A troca-troca de partidos por lideranças de grande expressão, vai mudar a cara da política de Mato Grosso do Sul. Não foi uma simples mudança. Quem era de centro ou centro-direita foi para esquerda e quem era de centro, pulou para a extrema direita.
Só que ninguém poderia imaginar um Trad no PT. Isto porque as principais lideranças petistas repugnavam os Trads. Mas em política tudo é possível de acontecer. E aconteceu do ex-deputado federal Fábio Trad, um advogado e professor universitário, largar o PSD, comandado pelo irmão, senador Nelsinho Trad, para se juntar ao PT. Um Trad no PT é para dar nó na cabeça do eleitor e pegou muita gente da política de surpresa. Todos estavam acostumados a verem os Trads como grandes rivais dos petistas e nunca como aliados.
Fábio considerou avanço essa mudança de partidos. Mas não deixou de ser um choque, principalmente, para o irmão, senador Nelsinho Trad. Afinal, eles caminharam juntos em várias eleições vitoriosas tendo o PT como um dos principais alvos do bombardeio.
Mesmo sendo estranho essa mudança, Fábio foi muito bem recebido e de braços abertos pelas lideranças petistas, que antes batiam sem dó nos Trads. A mudança de postura começou a ser notada quando ele era deputado federal. Fábio votava com a esquerda contra o então presidente Jair Bolsonaro. Já o seu irmão, Nelsinho, se identificou com o bolsonarismo e passou a ser defensor ferrenho da pauta conservadora. Hoje, Nelsinho é aliado de Bolsonaro.
Enquanto o outro irmão, Marquinhos Trad, foi um prefeito que evitava criar atritos por questão ideológica. Ele era mais cautoso e comunga mais com os ideais do centro, incorporados quando era do MDB.
Marquinhos acabou deixando o MDB para concorrer a Prefeitura de Campo Grande pelo PSD. Depois que renunciou ao cargo de prefeito para disputar ao governo do Estado, ele entrou em atrito com o então governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Essa briga custou caro para Marquinhos e as feridas ainda não foram cicatrizadas. Tanto que o PSD, para fechar aliança com o PSDB na sucessão da prefeitura da Capital, Nelsinho teve de pedir para o irmão, Marquinhos, deixar o partido. Azambuja não queria o ex-prefeito na aliança, porque tinha certeza que não contaria com apoio dele para a eleição do deputado federal Beto Pereira. E na campanha, Marquinhos detonou Beto e, no segundo turno, subiu no palanque da sua antiga rival, Rose Modesto, do União Brasil.
Desalojado do PSD, Marquinhos encontrou abrigo no PDT, um partido de esquerda, para recomeçar a sua trajetória política depois do fracasso na disputa para o governo. Pelo PDT, um partido que estava “morrendo”, ganhou sobrevida com a eleição de Marquinhos para vereador. Ele foi o campeão de votos.
Hoje, os irmãos Trads estarão, pela primeira vez, separados em partidos diferentes.
Outro impacto na política sul-matogrossense será a filiação do ex-governador Reinaldo Azambuja ao PL de Jair Bolsonaro. Ele está deixando o PSDB, que se tornou maior partido do Estado sob o seu comando, para entrar em uma legenda com perfil de extrema-direita.
O seu afilhado político, governador Eduardo Riedel, foi o primeiro a pular fora do ninho tucano. Só que ele não seguirá Azambuja. O governador se filiou ao PP, um partido de direita e recheado de bolsonaristas. A presidente do PP é a senadora Tereza Cristina, ministra da Agricultura do governo Bolsonaro.
Mas os deputados federais Beto Pereira, Geraldo Resende e Dagoberto Nogueira não deverão, a princípio, acompanhar Azambuja ao PL e muito menos Riedel. Eles são da esquerda do PSDB e não têm nenhuma identificação com Bolsonaro.
A filiação de Reinaldo Azambuja, ficou para o dia 21 de setembro, e no dia 12, o presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi, estará em Campo Grande para compromissos políticos.





