A política, em sua essência, vive de contrastes. No entanto, o que se testemunhou na Câmara Municipal de Campo Grande nas últimas semanas transcende a mera divergência de ideias: mergulha no abismo da incoerência ética. O palco das decisões legislativas serviu para desmascarar prioridades e mostrar quem realmente importa para o vereador quando o “calo aperta”: o setor empresarial ou o bolso do cidadão comum.
O espetáculo do Prodes
Na última quinta-feira (19), a aprovação do “Novo Prodes” (PLC 1.019/26) foi um verdadeiro espetáculo de eficiência. Naquele dia, não houve problemas com viagens, nem o silêncio dos atestados médicos ou as ausências convenientes. Os parlamentares votaram em peso para modernizar a doação de terrenos públicos e garantir a propriedade definitiva a empresários.
O presidente da Casa, Papy (PSDB), classificou a votação como “histórica”. Até mesmo Landmark Rios (PT), em um entusiasmo contagiante, ressaltou a lei como um “estímulo a mais”. No Prodes, o interesse em gerar renda falou mais alto que qualquer ideologia. Ali, sob as luzes do plenário, todos eram aliados.
O sumiço estratégico
Contudo, a disposição férrea vista no Prodes evaporou quando o assunto foi o IPTU abusivo. O cenário mudou, e a coragem deu lugar à sombra. Se para favorecer empresas os vereadores fizeram questão de aparecer, para defender o contribuinte o “sumiço” tornou-se a estratégia de guerra.
O vereador Landmark Rios (PT), tão efusivo ao celebrar o Prodes, preferiu o silêncio de Brasília. Omitiu-se. No momento em que o povo mais precisava de sua voz, restou apenas o vácuo de seu voto não registrado.
A metamorfose
Ainda mais grave foi a “metamorfose” de parlamentares como Carlão (PSB), Dr. Jamal (MDB) e Leinha (Avante). Em janeiro, posaram como paladinos do povo, votando contra o aumento. Em fevereiro, sob o pretexto de que a cidade “não pode parar de arrecadar”, estenderam o tapete vermelho para a ganância arrecadatória da Prefeitura.
Eles votaram CONTRA o Povo: Beto Avelar (PP), Carlão (PSB) — o mestre da reviravolta, Delei Pinheiro (PP), Dr. Jamal Salem (MDB), Dr. Victor Rocha (PP), Leinha (Avante), Professor Juari (PSDB) e Wilson Lands (Avante).
Os que honraram a palavra
Em meio ao jogo de sombras, alguns mantiveram a espinha ereta e a palavra empenhada:
- André Salineiro (PL), Ana Portela (PL), Clodoilson Pires (Podemos), Flávio Cabo Almi (PSDB), Herculano Borges (Republicanos), Jean Ferreira (PT), Luiza Ribeiro (PT), Maicon Nogueira (PP), Marquinhos Trad (PDT), Professor Riverton (PP), Otávio Trad (PSD), Ronilço Guerreiro (Podemos), Rafael Tavares (PL) e Veterinário Francisco (União Brasil).
A única arma do eleitor
O recado da Câmara: para o empresariado, as facilidades; para o morador de Campo Grande, o peso sufocante dos impostos. Resta ao contribuinte o dever da memória.





