A derrota sofrida pela prefeita Adriane Lopes (PP) na última segunda-feira (12), quando a Câmara Municipal derrubou por unanimidade o reajuste da taxa de lixo, revelou uma ferida política profunda. Para além dos números do IPTU, os discursos no plenário evidenciaram uma forte rejeição à qualidade da equipe do Executivo e à condução dos problemas básicos da cidade, como saúde e infraestrutura.
O Arrependimento da Base
Um dos momentos mais marcantes da sessão foi o depoimento do Professor Riverton (PP). Mesmo pertencendo ao mesmo partido da prefeita, o vereador não poupou críticas e admitiu o erro em ter apoiado a eleição de Adriane.
“Errei e ela ainda está em tempo de recuperar e me mostrar que pode ser uma ótima gestora, mas por enquanto eu errei”, declarou Riverton.
Posteriormente, o parlamentar reforçou que seu compromisso atual é com o contribuinte: “Meu compromisso é com o cidadão. Por isso, meu voto foi ‘não’ a essa cobrança que pesa no bolso de quem trabalha. Enquanto a conta não fechar para o povo, estarei ao lado de quem produz”.
“Catinga” de Cassação e Críticas à Equipe
O vereador Flavio Cabo Almi (PSDB) trouxe para o debate a possibilidade de afastamento da chefe do Executivo. Segundo ele, o clima de insatisfação popular e os constantes erros da prefeitura estão gerando um ambiente propício para pedidos de cassação.
- Saúde e Buracos: Almi alertou que Adriane precisa resolver urgentemente os problemas de zeladoria e o caos na saúde pública.
- Independência: O parlamentar criticou a postura submissa que a Câmara teria tido em outros momentos, afirmando que a Casa não pode ser um “puxadinho” da prefeitura. “Não vou aceitar mais, não vou me calar diante de tamanho desmando”, disparou.
O Medo do Passado
O vereador Carlão (PSB), embora tenha cobrado mudanças imediatas na postura do Executivo, adotou uma posição mais cautelosa quanto à cassação. Ele relembrou o trauma político vivido pela cidade há dez anos com Alcides Bernal. Carlão afirmou que ainda responde a processos por aquela época e, por isso, prefere focar na cobrança por melhorias na gestão em vez de apoiar a saída da prefeita neste momento.
Por que a equipe é o alvo?
Nos bastidores e nos discursos, a queixa principal é a de que o Executivo municipal está “desconectado” da realidade. Os vereadores alegam que:
- Faltou diálogo: O decreto do IPTU foi enviado sem análise prévia do Legislativo.
- Faltou transparência: O aumento de até 396% foi considerado uma “surpresa” inaceitável para o contribuinte.
- Faltou sensibilidade: Reduzir a taxa para imóveis de luxo e aumentar para os mais pobres foi visto como um erro político e técnico primário da equipe da prefeita.
Análise: Com o recesso interrompido e uma votação de 20 a 0, a Câmara de Campo Grande enviou um recado claro: a prefeita Adriane Lopes entra em 2026 sem uma base sólida e sob a mira de uma população revoltada com os serviços públicos.






