Vídeos mostram ação truculenta da GCM em protesto pacífico contra Adriane Lopes

Despreparo e agressões a manifestantes evidenciam que assim como a prefeitura, tropa está sem comando

Manifestação pacífica realizada neste sábado em protesto à gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) acabou demonstrando a falta de comando e de preparo de parte da tropa da Guarda Civil Municipal, que partiu de forma truculenta para cima de alguns manifestantes.

As agressões gratuitas aconteceram na noite deste sábado (29), na Rua 14 de Julho, durante evento oficial da prefeitura de abertura do Natal em Campo Grande.

Com o sugestivo tema “Sonhos que viram presente – Natal de Campo Grande”, o evento se transformou em pesadelo para uma idosa que passou mal após ser agredida pela Guarda Municipal de Adriane.

“Derrubaram uma senhora de idade”, grita num dos vídeos uma mulher cuja identidade é desconhecida. “Você acha certo isso? A gente é cidadã e estamos no nosso direito”, bradou, indignada, se dirigindo ao guarda que cometeu o ato de violência.

 A pessoa agredida trata-se da idosa Maria Cristina Alves Zuza Franco, de 61 anos, que passou mal, conforme mostra o vídeo a seguir.

Outra vítima foi a professora de Educação Física Elisângela Silva de Souza, que na  Delegacia de Pronto Atendimento ao Cidadão, onde registrou queixa, contou que ficou muito triste e indignada pela agressão.

Quando se desvencilhava do guarda municipal que tentou segurá-la, ela se desequilibrou e caiu, mostra um dos vídeos. Apesar da queda, na sequência a educadora é ignorada pelo agente que lhe abordou.

“Eu me sinto entristecida, desvalorizada porque estou no meu direito e nunca fui agredida por um homem. Eu me senti agredida”, desabafou.

Ainda durante o ato, o organizador dos protestos, Washington Alves Pagane, foi preso após ordem direta do secretário de Segurança de Adriane Lopes, Anderson Gonzaga, após uma discussão. Também foi detido um homem identificado como Fagner. 

Policiamento reforçado

Durante o evento na Rua 14 de Julho foi possível notar que os guardas municipais estavam fortemente armados e que o policiamento foi reforçado, já que a assessoria da prefeita Adriane Lopes já tinha a informação da realização do protesto.

Portando faixas, cartazes e usando narizes de palhaço, até a intervenção da GCM o protesto seguia dentro da normalidade. Uma manifestante contou que a prefeita sempre usa a Guarda contra os manifestantes, mas os agentes sempre acabavam recuando e não indo contra os manifestantes.

O protesto dirigido à prefeita ocorreu por conta do abandono em que se encontra o município. Buracos nas ruas, falta de médicos e medicamentos nas unidades de saúde, desvio de recursos da saúde, corte de salários dos servidores, falta de leitos hospitalares, descumprimento de medidas judiciais e congelamento de salários dos servidores pelo 3º ano consecutivo, entre outros problemas, motivaram os manifestantes a saírem de suas casas.

Vídeos mostram ação truculenta da GCM em protesto pacífico contra Adriane Lopes
Elisângela, na delegacia, mostra ferimento após queda provocada por GCM (Divulgação)

Natal e agressões

A temporada natalina em Campo Grande, iniciada no sábado, promete levar luz, arte e eventos a diversos bairros e ao centro da cidade até 31 de dezembro. A abertura oficial incluiu ações culturais, desfile natalino, espetáculos e a retomada dos sorteios de moradias — além das agressões da GCM à população.

A edição deste ano contará com 33 dias de atividades ininterruptas, espalhadas pela Rua 14 de Julho, Praça Ary Coelho, Praça do Rádio, Morada dos Baís, Mercado Municipal, Feira Central e Camelódromo.

Outro lado

Em nota, a GCM se manifestou da seguinte forma:

“A Guarda Civil Metropolitana informa que atuou na segurança de evento público realizado neste sábado (29), com grande presença de famílias e crianças. Durante a programação, um grupo de manifestantes tentou interromper as atividades e foi orientado a se afastar. Com a recusa e a elevação dos ânimos, duas pessoas foram encaminhadas à delegacia por desacato. Com uma delas, foi encontrado um canivete”.

A GCM não informou, por outtro lado, se os agentes envolvidos nas agressões irão responder a processo administrativo.

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