A 1ª edição do programa Jornal da Top, da Rede Top FM, que em Campo Grande pode ser sintonizada na 88,9 FM, encerrou a semana, nesta sexta-feira (19), entrevistando a vereador Luiza Ribeiro (PT), pré-candidata a deputada estadual, que abordou dois tópicos principais que impactam significativamente a cidade de Campo Grande: o fechamento da empresa Soprano e a intervenção no sistema de transporte coletivo urbano.
Ela também defendeu a ampliação da participação feminina na política e manifestou preocupação com questões ambientais e de saúde pública durante entrevista concedida nesta semana. “O encerramento das atividades da Soprano resultará na demissão de aproximadamente 360 trabalhadores diretos e outros 100 indiretos”, revelou.
Luiza contestou a justificativa apresentada pela empresa de que a decisão estaria relacionada à falta de incentivos fiscais no município. “A indústria recebeu uma série de benefícios quando se instalou em Campo Grande, há cerca de 15 anos. Entre eles, a doação de uma área de 34 hectares, serviços de terraplanagem em 26 mil metros quadrados, isenção de IPTU por dez anos, isenção total de ISSQN sobre construções e taxas, além de redução de 50% do ISS sobre as operações durante cinco anos”, informou.
A vereadora reforçou que “a alegação da empresa não corresponde à realidade. Houve um conjunto significativo de incentivos concedidos pelo poder público para garantir sua instalação na cidade”. “A Comissão Permanente de Comércio e Indústria da Câmara Municipal está questionando formalmente a empresa sobre os motivos da transferência da produção para Santa Catarina e cobrando esclarecimentos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento”, pontuou.
Transporte coletivo
Outro tema abordado pela vereadora foi a intervenção no Consórcio Guaicurus, responsável pelo transporte coletivo da Capital. “A medida foi consequência direta das investigações realizadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte, embora tenha sido determinada pela Justiça”, lembrou.
A parlamentar avaliou que o decreto de intervenção apresenta fragilidades jurídicas e questionou a escolha dos interventores, alegando falta de experiência específica na área de mobilidade urbana. “O prazo de 180 dias estabelecido para a intervenção é longo, pois a Prefeitura, como responsável pela fiscalização do contrato, já deveria possuir as informações necessárias sobre a operação do sistema”, alertou.
Luiza voltou a defender a implantação do modelo de tarifa zero em Campo Grande, destacando que mais de 150 cidades brasileiras já adotam sistemas semelhantes. “A população já subsidia o transporte por meio dos impostos e dos repasses realizados pela prefeitura ao consórcio. O transporte coletivo é um serviço de interesse de toda a cidade, não apenas de quem utiliza os ônibus diariamente”, argumentou.
A vereadora lembrou ainda que o governo federal disponibilizou linhas de financiamento para renovação das frotas por meio do programa Refrota. “Campo Grande tem atualmente 197 ônibus acima da idade considerada adequada para operação e poderia acessar recursos para a compra de até 200 veículos novos, com condições facilitadas de pagamento”, sugeriu.
Parque Estadual do Prosa
Na área ambiental, Luiza anunciou a realização de uma audiência pública para discutir os impactos da construção de edifícios de grande porte no entorno do Parque Estadual do Prosa. “A expansão imobiliária na região ameaça uma das mais importantes áreas de preservação ambiental da Capital, responsável pela proteção da fauna, da flora e pela regulação climática urbana”, argumentou.
Segundo ela, além dos danos ambientais, o avanço das construções pode afetar moradores e investidores que adquiriram imóveis na região contando com a preservação da área verde. “O Parque do Prosa é um patrimônio ambiental de Campo Grande e precisa ser protegido dos impactos causados pelo adensamento excessivo”, declarou.
Saúde sob críticas
Questionada sobre reclamações relacionadas à falta de médicos em unidades básicas de saúde, Luiza classificou a situação da saúde pública municipal como um “caos”. A parlamentar citou relatos de moradores do bairro Estrela Dalva, onde dezenas de pacientes estariam sem atendimento médico regular, e atribuiu os problemas à gestão da prefeita Adriane Lopes. “Há um sentimento generalizado de abandono na saúde pública. É uma situação que exige providências urgentes”, afirmou.
Pré-candidata a deputada estadual nas eleições de 2026, Luiza Ribeiro disse que pretende levar para a Assembleia Legislativa pautas relacionadas aos direitos das mulheres e à ampliação da representatividade feminina nos espaços de poder.
Ela destacou que as mulheres são responsáveis por mais da metade dos lares sul-mato-grossenses e enfrentam desigualdades salariais e diversas formas de violência. Atualmente, apenas três das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa são ocupadas por mulheres. Para a vereadora, o número demonstra a necessidade de ampliar a participação feminina na política.
“Defender as mulheres é defender as famílias, porque são elas que, em grande parte, assumem o cuidado com crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade”, afirmou Luiza também citando a experiências de países da América Latina que adotaram mecanismos de paridade de gênero nos parlamentos e defendeu que o Brasil avance na mesma direção.
Ao encerrar a entrevista, a vereadora reafirmou seu compromisso com pautas ligadas aos direitos humanos, à preservação ambiental, à cultura, à mobilidade urbana e à construção de uma sociedade mais igualitária.
Assista a entrevista completa pelo link:











